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Por Melissa Cannabrava 

Juliane Custódio defendeu sua tese em setembro de 2020. Créditos: reprodução
A nova mestra em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde da Casa de Oswaldo Cruz, Juliane Custódio, apresenta um tema que muitas vezes vai parar nas nossas mesas, literalmente. A partir do olhar do jornalismo científico, Juliane analisou o conteúdo da cobertura do Jornal Nexo sobre agrotóxicos, adaptando um protocolo elaborado pela Rede Íbero-Americana de Direito Sanitário.
 
Na pesquisa, Custódio mostra que é possível entender um pouco mais sobre o tema e os perigos dos agrotóxicos, com esclarecimentos e alternativas, tornando possível cobrar das autoridades soluções que reduzam a insegurança da população, assegurando direitos básicos, baseados em publicações e vozes de cientistas. Estes são os atores sociais mais encontrados como fontes de informação na análise de Juliane sobre o Nexo, e o olhar das matérias foi mais político-econômico do que científico. 
 
No novo episódio da temporada 2021 da série, Juliane Custódio responde às perguntas enviadas pelos seguidores do Museu da Vida sobre o assunto. Conta Aí, Mestre!
 
Melissa Cannabrava (@melmmcs): Oi, Juliane! Parabéns pela pesquisa! Gostaria de saber sua opinião em relação à cobertura da mídia sobre o tema. Enquanto realizava a pesquisa, se deparou com muitas fake news?
 
Juliane Custódio: Muito obrigada, Melissa! Em minha análise não tivemos como um dos critérios analisar a veracidade das informações das matérias, então não posso dizer se me deparei com fake News com o jornal Nexo. O que posso dizer é que, a partir da análise geral da cobertura dos agrotóxicos, encontrei autores dizendo coisas sobre a ocultação e as manobras jornalísticas para beneficiamento do setor do agronegócio, que utiliza os agrotóxicos como importante ferramenta para lucrar e se fortalecer como principal pilar econômico no país. 
 
Jessica Soldani@jesoldani: Oi Juliane! Muito interessante o tema do seu trabalho! O que você acha sobre a divulgação desse tema (agrotóxicos) no nosso país?
 
JC: Obrigada, @jesoldani! Acredito ser extremamente importante porque afeta diretamente a vida de seres humanos e, no meu ponto de vista, preservar a vida é mais importante que qualquer coisa. Nesse sentido, saber sobre os riscos, os danos, os benefícios e tudo que perpassa o tema, torna os cidadãos cada vez mais autônomos para tomar decisões sobre o que é mais importante dentro das suas concepções. É muito importante entender sobre o tema e as alternativas para cobrar das autoridades soluções que reduzam a insegurança da população, assegurando direitos básicos como saúde, por exemplo. 
 
Mariana Fernandes (@mariianafernandes): Parabéns pela pesquisa, Jú! Você acha que os resultados da sua pesquisa seriam diferentes caso analisasse outros jornais?

Matheus Rodrigues (@mrzinpjl): Parabéns, Juliane! Excelente trabalho!!! Você acha que se não fosse um jornal independente, seus resultados à cerca da pesquisa mudariam?
 
JC: Muito obrigada, @mariianafernandes e @mrzinpjl! Certamente, mudariam! Os jornais apresentam diferentes narrativas baseadas em interesses institucionais e em sua linha editorial. Existem, por exemplo, diversos pactos que favorecem muito o agronegócio, parlamentares ligados ao setor e alguns meios de comunicação. Acredito que, em jornais independentes como o Nexo, eu encontrasse resultados próximos, mas não posso confirmar por causa da pluralidade de veículos. 
 
Aline Moyzes (@alineemoyzes): Parabéns pela pesquisa, Juliane!!! Gostaria de saber se você acha que, se tivéssemos uma divulgação maior do assunto, nós, os consumidores, avaliaríamos e usaríamos com mais cautela os alimentos provenientes deste processo?!
 
JC: Obrigada, @alineemoyzes! Certamente, é o primeiro passo para entendermos os perigos que envolvem os agrotóxicos e esclarecer principalmente para as populações mais marginalizadas da sociedade. Porém, só vejo uma mudança real a partir da mobilização popular, que vem com a divulgação massiva do tema, gerando uma pressão para que as autoridades comecem a promover ações de incentivo e valorização das produções agrícolas alternativas, como a agroecologia e a produção orgânica. A partir desse incentivo financeiro das autoridades, os preços iriam baratear e, com isso, se popularizar uma alimentação mais saudável. 
 
Beatriz Campelo (@biarodgs): Existe alguma outra opção a não ser o uso do agrotóxico?
 
JC: Existe, sim. Os produtos orgânicos são livres dos agrotóxicos. Nesse tipo de produção podem ser utilizados pesticidas naturais ou, em alguns casos, não se utiliza nada. As produções agroecológicas são um bom exemplo disso, pois utilizam o próprio equilíbrio da natureza para promover diversas culturas, respeitando os princípios ecológicos, diferenciando-se do principal modelo atual com maior foco em monocultura (uma cultura) e técnicas exploratórias.   

Fernando Alves (/fernando271986?): Oi Mestra Juliane, parabéns pela pesquisa. Durante a pesquisa e análise das reportagens, foi possível identificar como o uso de agrotóxico influencia na produção de agricultores familiares e de pequeno porte? Esses que se dispõem a comercialização de produtos orgânicos em feiras locais ou acesso direto com produtor. E como a produção via agrotóxicos influencia na soberania alimentar?
 
JC: Obrigada, Fernando Alves (/fernando271986?)! Nas matérias que analisei, a contextualização dos agricultores familiares e de pequeno porte não foi muito presente. Um primeiro destaque que dou aqui é que nem todo “pequeno produtor” produz os alimentos chamados orgânicos, podendo utilizar, sim, agrotóxicos em suas culturas, até porque é o principal modelo de produção “vendido” pelo Estado. Pelo que vi, o principal impacto para os produtores orgânicos, de fato, é o baixo incentivo fiscal para proteger (financeiramente, neste caso) as produções e os produtores, garantindo um custo reduzido na produção e, consequentemente, na comercialização. Quanto à soberania alimentar, os agrotóxicos foram implementados e massivamente utilizados a partir da narrativa de erradicação da fome, o que de fato não aconteceu, mesmo que tenham reduzido os índices. As maiores produções com agrotóxicos são de commodities, que são exportadas do país. Então, sim, ocorre um desvio de discurso para favorecer a economia. Por outro lado, esses produtos também estão presentes na mesa dos brasileiros, com origem principalmente da agricultura familiar, e isso infelizmente ameaça a soberania alimentar por conta da insegurança com, por exemplo, a detecção de alguns agrotóxicos persistentes além do permitido pela Anvisa em diversos vegetais que estão presentes no dia a dia de milhões de brasileiros e brasileiras. 
 
Julianne Gouveia (/julianne.gouveia): Olá, mestra! Pela sua análise, como a cobertura sobre o uso de agrotóxicos do Nexo se relaciona diretamente com questões de interesse público, como os efeitos nocivos na saúde de trabalhadores e consumidores?
 
JC: O jornal Nexo apresenta, em geral, um olhar mais negativo sobre o tema em sua cobertura, dando mais ênfase nos riscos e danos que esses produtos causam. Portanto, acredito que a relação seja direta, como um grande alerta à população (obviamente para os leitores desse jornal) quanto aos efeitos nocivos desses produtos, tanto para trabalhadores, principalmente os que aplicam no campo, quanto para consumidores, alertando, por exemplo, sobre os agrotóxicos que são liberados e utilizados no Brasil e proibidos em diversos países da Europa e na América do Norte.
 
Romilda Samuel (/profile.php): Conta aí mestra! O que você indicaria para o uso já que esses produtos são agressivos à saúde do homem?
 
JC: Acredito que a alimentação orgânica, livre desses produtos agressivos, seja a melhor solução. Porém, sei que precisa de mobilização popular e política para o incentivo dessas culturas mais saudáveis e maior ampliação desse mercado econômico. 
 
Publicado em 11 de fevereiro de 2020
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