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Autor: Secretaria de Saúde e Assistência de Minas Gerais, Serviço de Propaganda e Educação Sanitária

Senta que lá vem história! Ao longo do tempo, inúmeros tratamentos para curar ou mitigar os sintomas da tuberculose foram testados. Ainda no século XIX, o tratamento higiênico dietético foi amplamente utilizado nos sanatórios para tuberculosos. Nesses locais, o tratamento incluía boa alimentação, repouso e atividades ao ar livre. Ao mesmo tempo, remédios como óleo de fígado de bacalhau ou preparados com sais de ouro eram usados, porém com resultados terapêuticos limitados.

As técnicas de colapsoterapia ou tratamento cirúrgico da doença, onde o pulmão era colocado num estado respiratório não funcional de retração e imobilização, foram introduzidas na mesma época. O pneumotórax artificial, técnica de colapsoterapia criada pelo médico italiano Carlo Forlanini em 1882, foi amplamente utilizado no Brasil a partir da década de 1930, resultando em relativo sucesso na cura dos doentes. De acordo com o pneumologista José Rosemberg, “a prática do pneumotórax artificial disseminou-se por todos os países, constituindo-se no tratamento heróico até o início da década dos anos 50, quando surgiram as drogas antituberculosas”.

No campo da prevenção, o grande avanço científico ocorreu com a vacina BCG, descoberta pelo médico Albert Calmette (1863-1933) e pelo veterinário Camille Guérin (1872-1961). Os esforços para a finalização da vacina levaram treze anos e, após mais de 200 tentativas para obter a fórmula final, ela ficou pronta para uso em 1921.

Um pouco depois, em 1925, o médico e pesquisador brasileiro Arlindo de Assis recebeu a cepa inativada do Bacilo de Calmette e Guerin – vêm daí as iniciais para a vacina -, o que possibilitou o início do desenvolvimento da vacina em nosso país. Assis se articulou com a Liga Brasileira contra a Tuberculose, entidade filantrópica privada dirigida por Ataulpho de Paiva que assumiu a produção do imunizante. O medicamento foi sistematicamente aplicado no Brasil a partir da década de 1930. Atualmente, a Fundação Ataulpho de Paiva, sucessora da Liga Brasileira contra a Tuberculose, é a única produtora da BCG no país.

E o que a vacina contém? Ela é produzida com o bacilo de Calmette-Guérin enfraquecido, obtido a partir de uma das bactérias que causam a doença, a Mycobacterium bovis. É indicada a partir do nascimento e até os cinco anos de idade, com aplicação em dose única. A BCG faz parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e está disponível nas Unidades Básicas de Saúde e nos serviços privados de vacinação.

A Liga Brasileira contra a Tuberculose iniciou a vacinação com o BCG na cidade do Rio de Janeiro em 1927. Em meados de 1929, cerca de mil e quinhentas crianças já haviam sido imunizadas contra a tuberculose e seguiam acompanhadas pelos médicos e outras profissionais da Liga. Reprodução do Almanak da Liga Brasileira contra a Tuberculose, Rio de Janeiro, 1929

Apesar de não oferecer eficácia de 100% na prevenção contra a tuberculose pulmonar, a aplicação em massa da BCG permite a prevenção de formas graves da doença, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, nos países onde a tuberculose é frequente e a vacina integra o programa de vacinação infantil, milhares de casos de meningite tuberculosa são evitados anualmente.

Informações técnicas sobre o Objeto

Cartaz utilizado na campanha contra a tuberculose

Título: O BCG protege o bebê contra a tuberculose

Autor: Secretaria de Saúde e Assistência de Minas Gerais, Serviço de Propaganda e Educação Sanitária
 

Outras leituras

FERREIRA, Luiz Claudio. Cem anos da BCG: como a vacina mudou história no combate à tuberculose. (entrevista da pesquisadora Dilene R. do Nascimento, por ocasião do centenário da vacina BCG). Agência Brasil, 01/07/2021, disponível em:https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2021-07/bcg-100-anos-como-vacina-mudou-historia-no-combate-tuberculose

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Manual de normas e procedimentos para vacinação. Brasília, DF, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_procedimentos_vacinacao.pdf

NASCIMENTO, Dilene; FERNANDES, Tania; ALMEIDA, Ana Beatriz; SOARES, Pedro Paulo. Imagens da Peste Branca. Memória da Tuberculose no Brasil. (exposição organizada pela Casa de Oswaldo Cruz e Centro de Referência Professor Hélio Fraga, exibida no Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro, 1993

OPAS/BIREME. Biblioteca Virtual em Saúde. Descritores em Ciências da Saúde. Colapsoterapia. Disponível em: https://decs.bvsalud.org/ths/resource/?id=3127&filter=ths_exact_term&q=Colapsoterapia

ROSEMBERG, José. Tuberculose - Aspectos históricos, realidades, seu romantismo e transculturação. Boletim de Pneumologia Sanitária. v.7 n.2 Rio de Janeiro, 1999. Disponível em: http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-460X1999000200002

 

Imagens

Reprodução do Almanak da Liga Brasileira contra a Tuberculose, Rio de Janeiro, 1929
 

Créditos

Objeto em Foco é um produto de divulgação do acervo museológico sob a coordenação de Pedro Paulo Soares e Inês Santos Nogueira
Serviço de Museologia - Museu da Vida

Publicado em 27 de julho de 2021

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