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Ficha técnica
Material: linho (lenço), papel (envelope e bilhete), fibras vegetais (flores), madeira e vidro (moldura)
Dimensões: 40 x 40 cm (moldura)
Autor/Fabricante: sem identificação
Origem: França
Data: 1897-1899
Procedência: Família
Oswaldo Cruz

 


O lenço de linho com manchas e as flores secas estão acompanhados por um bilhete manuscrito em que se lê: “Paris – 1897 – Para estudos médico-legais – Lenço com manchas – Flores suspeitas estarem embebidas em sangue – Crime da rua Vaugirard”. Esse objeto, na forma de um pequeno quadro emoldurado e composto por três itens distintos – o lenço, as flores secas e o bilhete manuscrito –, relaciona-se à época em que Oswaldo Cruz realizou estudos no Laboratório de Toxicologia de Paris, entre 1897 e 1898. Entre as pesquisas do cientista no período encontram-se aquelas sobre a toxicologia da ricina, nossa conhecida mamona, e sobre o envenenamento pelo gás de iluminação instalado em residências de Paris. O artigo publicado nos Annales d’Hygiene Publique et Medicine Légale, em 1898, intitulado “Estudos sobre a pesquisa do envenenamento pelo gás de iluminação”, refere-se a um caso de envenenamento acidental e comprova sua breve passagem pela medicina legal. O estudo originou-se com a morte de um homem por intoxicação em seu quarto de dormir. Se fosse comprovada a intoxicação pelo gás de iluminação, os parentes poderiam reivindicar uma indenização; porém, se o envenenamento fosse devido aos gases liberados pela queima do carvão usado para aquecimento, nada poderia ser reivindicado.

No artigo, Oswaldo Cruz expõe os métodos adotados para identificar os vestígios de óxido de carbono no sangue deixados pelo gás de iluminação, distinguindo-o daquele liberado pela queima do carvão usado no aquecimento domiciliar e muito comum nas residências europeias. O cientista utilizou inicialmente métodos de pesquisa experimental in vitro e espectroscópicos, seguindo orientações de seu professor Jules Ogier. Mas foram os dados obtidos com experimentos em cobaias – expostas tanto ao gás de iluminação quanto às emanações do carvão vegetal, coque e antracito – que auxiliaram no diagnóstico diferencial dos envenenamentos de pessoas pelo gás de iluminação e pelo monóxido de carbono proveniente das outras fontes de combustão.

Durante o período em que estudou na capital francesa, de 1897 a 1899, Oswaldo Cruz frequentou o necrotério de Paris, onde assistia a aulas práticas de medicina legal proferidas por seus mestres Vibert, Brouardel e Ogier. Em um caderno de anotações intitulado “Chimica legal”, o então jovem médico deixou inúmeras referências ao tema das manchas, suas distintas causas, formas e meios para melhor identificá-las e distingui-las, ressaltando sua importância para o exame das evidências que chegavam às mãos dos médicos legais.

Sobre o crime da rua Vaugirard, mencionado no bilhete de nosso objeto em foco, o mistério permanece até que outras fontes o esclareçam e confirmem.

Desde 1868, quando foi inaugurada, até fechar suas portas ao público, em 1907, a morgue de Paris recebeu a visita de milhares de pessoas para uma macabra e rotineira exposição de cadáveres. Os moradores da cidade acorriam ali para identificar, entre pessoas afogadas no rio Sena e vítimas de homicídios, suicídios ou acidentes, algum conhecido ou parente desaparecido. Mas os turistas, especialmente os ingleses conduzidos por guias, ali satisfaziam sua curiosidade mórbida e o local era considerado uma das atrações da cidade. Crédito da imagem: www.unjourdeplusaparis.com

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Bibliografia

Oswaldo Cruz – Etudes sur le empoisonnemment par le gaz d’eclairage. Annales d’Hygiene Publique, 3ª série, Tome 39, nº 5, Paris, 1898
____________ – Etude toxiclogique de la ricine. (travail du laboratoire de toxicologie) . in. Oswaldo Gonçalves Cruz Opera Omnia, Instituto Oswaldo cruz, Rio de Janeiro, 1972
Séries Correspondência e Produção Intelectual. Fundo Oswaldo Cruz, Departamento de Arquivo e Documentação, Casa de Oswaldo Cruz. Fiocruz, Rio de Janeiro
Ezequiel Dias – Traços biográficos de Oswaldo Cruz. Tipografia do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro,1934
Phocion Serpa – A vida gloriosa de Oswaldo Cruz. s/ed, Rio de Janeiro, 1937
P. Brouardel e J.Ogier – Le Laboratoire de Toxicologie. Librairie J.B. Bailliére et Fils, Paris, 1891
La morgue: visite favorite des parisiens au 19e siècle. In: Paris insolite http://www.unjourdeplusaparis.com/paris-insolite/morgue-visite-favorite-paris-au-19e-siecle

 

Atualizado em 15/08/2018.

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