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Um homem, que adorava observar o céu, desafiou a Igreja Católica e acabou enfrentando a Santa Inquisição. Para fugir da fogueira, teve que negar tudo aquilo em que acreditava. A história de Galileu Galilei vai ser contada no palco do Teatro Municipal Maria Clara Machado, no Planetário da Gávea. Baseada no texto “A vida de Galileu", do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, a peça homônima ficou em cartaz por mais de um ano aqui no Museu da Vida. Na montagem, dirigida por Daniel Herz e João Marcelo Pallotino, cabe a Roberto Rodrigues interpretar o cientista, enquanto oito atores se alternam em outros papéis. Toda a trama se passa no século XVII, mas podia ser nos dias de hoje.
Peça fica em cartaz entre 1 e 17 de dezembro. O ingresso custa R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia. (Foto: Renato Mangolin)

“Naquela época, havia uma força retrógrada muito forte por parte da Igreja, que, por motivos de poder e motivos obscuros, não estava aberta ao novo, à diferença. Diria que hoje a gente está vivendo um retrocesso muito grande. Nesse sentindo, essa montagem faz uma dupla leitura: a da época do Galileu e a da homenagem aos cientistas que foram expulsos da Fiocruz durante o regime militar. Mas ainda tem uma terceira camada, a que a gente está vivendo hoje, de profundo retrocesso na cultura, no que diz respeito às conquistas que a sociedade obteve em relação à diversidade e às diferenças. É um momento bastante assustador e, infelizmente, o texto mostra-se profundamente atual”, compara o diretor Daniel Herz.

A peça inaugurou em 2016 na Tenda da Ciência, na Fiocruz, por conta da celebração dos 30 anos da reintegração dos pesquisadores que puderam retornar à Fiocruz após a injustiça que sofreram. Na época do regime, o governo brasileiro cassou os direitos políticos e a aposentadoria de dez pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), que foram proibidos de entrar em seus laboratórios dentro da instituição. Para homenageá-los, o espetáculo é entrecortado por depoimentos dos cientistas afastados. 

Outro destaque é o cenário em círculo. "Essa circularidade é inspirada no próprio Galileu, com a ideia de mostrar que a Terra não está no centro do universo. A Terra está circulando, a vida está circulando, os valores estão circulando e o teatro também. O público se identifica com essa história, que tem uma dinâmica moderna, bem contemporânea e traz a ideia de você testemunhar os atores contando uma história, se revezando nos papeis”, explica Daniel.

Durante os ensaios, elenco e direção inseriram elementos para revitalizar a montagem e encaram o desafio de contar uma história não apenas para o público adulto, mas também para os jovens, já que muitos alunos de ensinos fundamental e médio assistiram à peça. Estudantes e professores da rede pública de ensino têm entrada gratuita garantida nas sessões do espetáculo.

“A peça discute a relação dos cientistas, enquanto intelectuais de uma sociedade, com a sustentação do autoritarismo ou da democracia e da liberdade. Além disso, aborda em muitas cenas porque o cientista deve se aproximar da população. É uma discussão em que a divulgação científica é peça central. Todos esses elementos estão bastante presentes na peça a partir dos dilemas que o próprio Galileu enfrenta”, esclarece Diego Vaz Bevilaqua, um dos idealizadores do projeto.

Serviço
Teatro Municipal Maria Clara Machado (dentro do Planetário da Gávea)
Endereço: Av. Padre Leonel Franca, 240 - Gávea, Rio de Janeiro - RJ, 22451-000
Temporada: de 1º a 17 de dezembro | sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 20h
Ingresso: inteira - R$20,00 e meia - R$10,00 | Gratuidade para professores e alunos da rede pública de ensino
Classificação Indicativa: a partir de 10 anos
Duração: 75 minutos
Telefone: 2274 7722
E-mail institucional: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Horário de funcionamento: 14h às 22h


Atualizado em 06/12/2017
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funcionamento terça a sexta-feira: 9-16h30, sábados: 10h-16h

agendamento de visitas (0xx21) 25906747

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