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Informativo do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica/Museu da Vida - Ano XVII, n. 241, RJ, 2 de julho de 2018

Neste informe:

1. Reconciliação entre arte e ciência
2. Fonte de informação e persuasão
3. Quando fatos não são suficientes
4. Hulk, X-Men, Deadpool, Batman... mais do que superpoderes em comum
5. Por mais vozes femininas na ciência
6. Reflexões de um ícone da divulgação científica
7. Desafios da pesquisa e a relação entre arte e divulgação científica
8. Avaliando o impacto de atividades de divulgação da ciência
9. Exposição interativa fala de bons hábitos para evitar o câncer
10. Dia de celebrar a ciência
11. Últimas semanas para inscrição na Olimpíada de Saúde e Meio Ambiente
12. Cursos livres em divulgação científica 

1. Reconciliação entre arte e ciência – O “breve” período de afastamento entre ciência e arte – de cerca de 200 anos – parece estar chegando ao fim. É o que afirma João Ricardo Aguiar da Silveira, coordenador do Núcleo Temático da edição corrente da revista Ciência & Cultura, cujo foco é justamente "arte e ciência". No texto de abertura do dossiê, João dá exemplos de instituições de pesquisa e agências de fomento – sobretudo estrangeiras – que têm investido na interação entre os dois campos. Segundo ele, no Brasil, ainda há um grande desconhecimento da área. Por outro lado, há pesquisadores que foram trilhando seus próprios caminhos e têm contribuído para a ampliação desse campo no país. O Núcleo Temático apresenta o trabalho de alguns desses pesquisadores. Tania Araújo-Jorge e colaboradores, por exemplo, abordam em um dos artigos os cerca de 30 anos de atividades integrando ciência e arte na Fiocruz. Em outro artigo, Carla Almeida e colegas analisam ações de ciência e teatro no campo da divulgação científica. O próprio João Silveira, em colaboração com Roger Malina e Denise Lannes, faz, em outro texto, um retrato do universo acadêmico brasileiro que atua nessa área. O conteúdo da revista, de acesso aberto, está disponível em: <http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0009-672520180002&lng=pt&nrm=iso>.

2. Fonte de informação e persuasão – Há anos documentários vêm sendo usados para provocar mudanças e atitudes. No contexto da divulgação científica, despontam como estratégia atraente de engajamento público em diferentes temáticas relacionadas à ciência. Mas como aproveitar ao máximo o potencial desses filmes? Em meio a uma escassa literatura sobre o assunto, vale mencionar o estudo de pesquisadores estadunidenses que analisaram os efeitos dos diferentes tipos de fonte presentes em um documentário sobre mudanças climáticas em jovens universitários, especificamente no que diz respeito à busca e troca de informações pós-filme. Os pesquisadores manipularam as fontes em trechos do filme Uma verdade inconveniente, de Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos, e observaram que fontes oficiais – no caso, políticos e cientistas –, em comparação com fontes anônimas, podem estimular mais o público a buscar e trocar informações acerca do tema abordado. Ou seja, a presença dessas fontes em documentários – em oposição a vozes desconhecidas em off – deve ser vista como um recurso persuasivo importante. A pergunta que não quer calar é: há diferença entre a fonte política e a fonte científica? Para surpresa dos autores, seus dados dizem que não. Segundo eles, é possível que Al Gore seja visto mais como um especialista em mudanças climáticas do que como um político. Em todo caso, ressaltam a necessidade de haver mais estudos no campo. O artigo, em inglês, pode ser acessado gratuitamente em: <https://jcom.sissa.it/archive/17/02/JCOM_1702_2018_A07>.

3. Quando fatos não são suficientes – Quando cientistas querem envolver o público no debate sobre algum tema científico controverso, apenas oferecer mais informações, mesmo em linguagem simples, pode não ser o bastante. Caprichar na criatividade e diversificar os canais – usar novas mídias, por exemplo – ajudam, mas também não garantem o engajamento dos cidadãos. Depois de inúmeras tentativas de falar com o público amplo sobre mudanças climáticas, a cientista Katharine Hayhoe, diretora do Climate Science Center, na Texas Tech University (EUA), chegou à conclusão de que uma das suas iniciativas mais eficazes para ganhar a atenção do público foi contar que ela era cristã e, assim, conectar os impactos do aquecimento global a algo que é realmente significativo na vida de muitas pessoas: a fé. No editorial de junho da revista Science, “When facts are not enough”, Hayhoe opina que cientistas podem se tornar comunicadores mais eficazes ligando-se a um valor que eles compartilhem genuinamente com as pessoas a quem estão falando. Não precisa ser religião. Pode ser que o cientista e seus interlocutores morem num mesmo local ou estejam preocupados com um mesmo tema ou desfrutem de um mesmo hobby. “Em vez de começar com o que mais divide cientistas do resto do público, inicie a conversa a partir de um lugar de acordo e respeito mútuo”, sugere. Acesse o texto em inglês em: <http://science.sciencemag.org/content/360/6392/943.full>.

4. Hulk, X-Men, Deadpool, Batman... mais do que superpoderes em comum – Não, nem todos são da Marvel, tem aí o Batman, da DC Comics. Então, o que mais une esses personagens? Todos têm um quê de ciência e tecnologia, seja na mutação genética que dá superpoderes aos X-Men ou no domínio da tecnologia que faz Batman ser páreo para o Super-homem. É este universo, com seus outros inúmeros heróis ilustres, que será explorado pelo recém-lançado periódico de acesso aberto Superhero Science and Technology. A revista, que contará com o tradicional sistema de avaliação por pares, tem como objetivo publicar pesquisas nas áreas de ciência, engenharia, tecnologia e ética envolvidas no gênero e escritas de maneira acessível tanto para a comunidade acadêmica quanto para o público em geral. Os dois artigos já publicados abordam a importância da impressora 3D para Tony Stark e o traje do Homem de Ferro e o ainda mais curioso papel das proteínas anticongelantes de peixes marinhos como chave para o processo de criopreservação do soldado invernal. Mais informações no link: <https://journals.library.tudelft.nl/index.php/superhero/index>.

5. Por mais vozes femininas na ciência – Vários artigos científicos apontam a sub-representação da voz feminina em diversos campos profissionais, entre eles, a ciência. No Brasil, por exemplo, as mulheres são maioria em diversas graduações e na Academia, mas costumam ser minoria na mídia, quando cientistas são entrevistados para falar de sua pesquisa ou opinar sobre algum aspecto da ciência. Essa sub-representação também se reflete nos cargos de liderança na comunidade científica e entre formuladores de políticas públicas, entre outras áreas de atuação. Na busca por diminuir essa lacuna, quatro mulheres criaram a organização 500 Women Scientists, responsável pela plataforma Request a Woman Scientist. Nela, é possível buscar nomes e contatos de mulheres cientistas de diversos países e campos científicos. Se você precisa de uma fonte para uma reportagem científica, ou busca por uma palestrante para dar uma conferência ou workshop ou por uma especialista de determinado campo para contribuir em algum projeto, solicite uma cientista mulher acessando a página: <https://500womenscientists.org/request-a-scientist/>. Precisamos de mais vozes femininas na esfera pública!

6. Reflexões de um ícone da divulgação científica – O que um dos maiores divulgadores brasileiros da ciência pensava sobre a divulgação científica? Embora tenha morrido em 2002, as reflexões de José Reis sobre o setor continuam atuais. Dezesseis textos de sua autoria, garimpados num acervo pessoal com cerca de 9.500 itens sob a guarda da Casa de Oswaldo Cruz (Fiocruz), acabam de ser reunidos no livro José Reis: Reflexões sobre a divulgação científica, organizado por Luisa Massarani e Eliane Monteiro de Santana Dias. São artigos que colocam em debate questões como os objetivos da divulgação da ciência, a necessidade de os cientistas se engajarem com a sociedade, o imaginário social da ciência e do cientistas, a formação e a responsabilidade do divulgador, entre outros assuntos. Alguns textos são de caráter geral, outros focam áreas específicas da divulgação científica, como jornalismo científico, feiras de ciências e museus. A obra será lançada em 23 de julho na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Maceió, e em 6 de agosto, na aula inaugural do Mestrado em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde, no Museu da Vida, Rio de Janeiro. Após os lançamentos, o livro estará disponível online gratuitamente.

7. Desafios da pesquisa e a relação entre arte e divulgação científica – No dia 6 de agosto, às 9h, será realizada a aula inaugural do Mestrado em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde, parceria entre Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Museu de Astronomia e Ciências Afins, Fundação Cecierj e Universidade Federal do Rio de Janeiro. O evento contará com palestras de Suzanne de Cheveigné, pesquisadora do Centre Norbert Elias (França), sobre desafios na pesquisa em divulgação científica, e Eric Jensen, da University of Warwick (Reino Unido), que abordará a investigação sobre atividades que unem arte e divulgação científica. Na ocasião, também será lançado o livro José Reis: Reflexões sobre a divulgação científica (vide nota anterior). Aberta ao público geral, gratuita e com tradução simultânea, a aula inaugural do mestrado acontece no Auditório do Museu da Vida, que fica na Av. Brasil 4365, Manguinhos, Rio de Janeiro.

8. Avaliando o impacto de atividades de divulgação da ciência – O especialista em estudos de público Eric Jensen, da University of Warwick (Reino Unido), oferece o workshop “Why and how to evaluate science communication impact”, nos dias 2 e 3 de agosto, de 9h30 às 16h30, no Centro de Documentação e História da Saúde (CDHS) da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. A iniciativa é promovida pela Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, pelo Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia e pelo Museu da Vida (Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz). Gratuito, o workshop será realizado em inglês, sem tradução simultânea. Para participar, os interessados precisam se inscrever previamente pelo e-mail <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>, pois as vagas são limitadas. Quem não puder participar, terá outra oportunidade de conhecer o trabalho de Jensen na aula inaugural do Mestrado em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde, que será realizada em 6 de agosto (vide nota anterior). O CDHS fica no campus da Fiocruz em Manguinhos, na Av. Brasil, 4365, Rio de Janeiro. Mais informações sobre Eric Jensen em: <https://warwick.ac.uk/fac/soc/sociology/staff/jensen/>.

9. Exposição interativa fala de bons hábitos para evitar o câncer – O câncer é hoje a segunda maior causa de morte no Brasil. Felizmente, os tratamentos e as técnicas de diagnóstico evoluíram de forma significativa. Além disso, aumentam as evidências mostrando que a adoção de hábitos saudáveis pode evitar pelo menos 30% dos casos de câncer. A exposição “SaudávelMente”, inaugurada em junho no Museu da Vida (Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz), procura mostrar ao público, sobretudo aos jovens, que os cuidados com o corpo devem começar desde cedo e dentro de casa. Hábitos simples como manter uma alimentação equilibrada, fazer atividades físicas e usar filtro solar podem contribuir para evitar doenças no futuro. A exposição, que conta com recursos de acessibilidade voltados ao público cego e surdo, é uma iniciativa do Programa de Oncobiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, do Museu Ciência e Vida/ Fundação Cecierj e da Fundação do Câncer e conta com apoio financeiro da Faperj. O Museu da Vida fica na Av. Brasil, 4365, em Manguinhos, Rio de Janeiro. Com entrada gratuita, funciona de terça a sexta-feira, de 9h às 16h30, e aos sábados, das 10h às 16h. Mais informações no site <http://museudavida.fiocruz.br> e no telefone 2590-6747.

10. Dia de celebrar a ciência – Oito de julho é uma data especial: é dia nacional da ciência, dia nacional do pesquisador e, em 2018, dia em que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) completa 70 anos de existência. São muitos motivos para comemorar, mas também para chamar a atenção da população brasileira sobre a crise na ciência e na educação. A SBPC está mobilizando a comunidade científica para realizar atividades culturais em todo o Brasil. Em São Paulo, haverá uma concentração em 8 de julho, a partir das 10h, no Instituto Moreira Salles, onde ocorrerá uma intervenção, aberta a todos, comemorativa ao septuagenário da entidade, seguida de uma “Marcha Pela Ciência” na avenida Paulista. No Rio de Janeiro, no mesmo dia, será realizado o “Domingo com Ciência na Quinta”, em frente ao Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, das 10h às 14h. Em Belo Horizonte, haverá atividades no Espaço do Conhecimento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), praça da Liberdade, às 10h. Já em Brasília, as ações ocorrerão no dia 12, no Plenário da Câmara. O deputado Celso Pansera fez requerimento para a realização da Comissão Geral “Marcha para a Ciência: o presente e o futuro do setor de Ciência e Tecnologia no País”. Saiba mais sobre as atividades em: <http://portal.sbpcnet.org.br/noticias/sbpc-convoca-todos-a-realizar-atividades-do-dia-nacional-da-ciencia/>.

11. Últimas semanas para inscrição na Olimpíada de Saúde e Meio Ambiente – Em 31 de julho, às 17h, encerram-se as inscrições para a 9ª Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma) promovida pela Fiocruz. Neste ano, a Olimpíada destaca o Ano Oswaldo Cruz e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da agenda mundial. Podem participar professores e estudantes das redes pública e privada do país que tenham desenvolvido um trabalho sobre saúde e meio ambiente no período entre 2017 e 2018. A Olimpíada tem duas categorias: Ensino Fundamental (do 6º ao 9º ano) e Ensino Médio, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA). As modalidades dos trabalhos incluem produção audiovisual, de texto e projeto de pesquisa e a inscrição deve ser feita por um professor no site da Obsma. O material original do projeto (textos, fotografias, vídeos, entre outros) deve ser enviado até 31 de agosto, via correio, para a Coordenação Regional do estado de origem da escola participante. Os autores (um professor e um aluno) dos trabalhos selecionados na etapa regional viajarão para o Rio de Janeiro, com as despesas pagas, e participarão de atividades culturais e científicas, além da cerimônia de premiação nacional (em data a ser definida), quando serão anunciados os destaques nacionais, que receberão placas comemorativas. A 9ª edição da Obsma irá conferir, ainda, o Prêmio “Obsma - Ano Oswaldo Cruz” a um trabalho que tenha utilizado como referência materiais produzidos pela Fiocruz.  A inscrição é gratuita. Saiba mais em: <https://obsma.fiocruz.br> e <http://www.olimpiada.fiocruz.br/>.

12. Cursos livres em divulgação científica – Estão abertas até 13 de julho as inscrições para o curso livre “Tópicos Especiais em Museus e Centros de Ciência”, com Martha Marandino, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, e Douglas Falcão, da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência e do Museu de Astronomia e Ciências Afins. Com carga horária de 28h, o curso ocorrerá de 23 de julho a 8 de agosto. Destinados, preferencialmente, a profissionais graduados e estudantes de graduação das áreas das ciências humanas, ciências sociais aplicadas e ciências da saúde, os cursos livres oferecidos pela Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz são gratuitos e abordam vários temas. Entre os próximos cursos a serem oferecidos em 2018 estão “Práticas e aplicações de novas tecnologias na divulgação científica” e “Divulgação da ciência e da tecnologia em meios de comunicação de massa”, que compõem a grade de disciplinas da Especialização em Divulgação e Popularização da Ciência (promovido pelo Museu da Vida em parceria com outras instituições). As aulas ocorrerão no Centro de Documentação e História da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (Av. Brasil, 4365 - Manguinhos, Rio de Janeiro). Para participar, o candidato deve realizar a inscrição no Campus Virtual da Fiocruz (<https://campusvirtual.fiocruz.br/portal/>). Veja os requisitos e a lista completa de cursos, com datas, horários, objetivos e informações sobre os docentes em: <http://coc.fiocruz.br/index.php/educacao/programa-extensao>.

 

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