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Por Tatiane Lima, Deborah Araujo, Julianne Gouveia, Renata Fontanetto e Renata Bohrer

 

Chegamos ao último dia da 20ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia na Fiocruz (20/10)! Nos quatro dias de evento, mais de 3 mil pessoas passaram pelo campus Manguinhos da Fundação, no Rio de Janeiro. Quem curtiu a atividade “Brincando com as mãos e as cores: oficina lúdica de diversidade e libras para crianças” – um dos destaques do segundo dia (18/10) – sem dúvidas gostou também da atividade “Laboratório das cores”, realizada pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz. A premissa da brincadeira era criar uma cor misturando cores primárias.

A atividade já está sendo projetada para uso em escolas, dado o seu potencial educativo. “Nós trabalhamos com a lei de Lavoisier, que diz que ‘Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma’. A gente mostra que tudo se cria a partir de algo que já existe. As crianças pegam as cores primárias e criam outras. Dizemos que elas já são cientistas e as convidamos a pensar formas de mudar o mundo a partir da ciência”, conta Aryella Correa, criadora de conteúdo e comunicação científica do projeto Dado Científico de Farmanguinhos.

Já que tudo se transforma e nada se perde, você sabia que a purpurina é um plástico e que você pode ter consumido parte dela? Calma, não foi no Carnaval (ou será que foi?). Na atividade “Desenvolvimento Sustentável e Vigilância Sanitária”, do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, os expositores mostram que a maior parte dos alimentos que consumimos possuem plásticos. Um exemplo são os sais que, por estarem no fundo dos mares, se misturam a microplásticos, elementos que compõem as purpurinas – que são carregadas pela água do banho.

Chocados? Pois se prepare: imagine fazer uma pasta de dente para elefantes? Mas calma: é tudo uma bela reação química – não é de verdade! “Esse experimento também é comumente conhecido como vulcão. A gente usa peróxido de hidrogênio, uma das substâncias da água oxigenada. Depois, utilizamos um composto para aumentar a velocidade da reação química, o iodeto de potássio, bem como detergente líquido e corante”, explica Patrícia Silva, uma das mediadoras da atividade e aluna de química da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. O resultado é uma explosão colorida de espuma – muita espuma! – que arranca várias expressões de surpresa.

Nas Ações Territoriais, as atividades extramuros da SNCT, o Ciência Móvel do Museu da Vida Fiocruz proporcionou um último dia digno de saudade. A ação reuniu um público diverso no Sesc de São Gonçalo. Segundo a analista de projetos sociais da instituição parceira Karen Pinto: “As atividades engajaram o público para temas científicos e sociais e foram ao encontro da missão do Sesc de promover ações socioeducativas que contribuam para o bem-estar social e a qualidade de vida”.

 

Do direito à informação de qualidade ao direito trabalhista

Em uma das últimas atividades da 20ª SNCT na Fiocruz, a ‘Oficina de combate à desinformação: ferramentas para desafiar fake news e outras mentiras sobre saúde e ciência’ trouxe um tema muito em alta, principalmente desde o início da pandemia da Covid-19. Os jornalistas Daniela Nunes Araujo e Eric Veiga Andriolo (Agenda Jovem Fiocruz), conversaram com turmas do 8º e do 9º ano do Centro Educacional Novo Mundo, de Bangu, realizando dinâmicas de grupo e exercícios que exemplificam a maneira com que as notícias falsas se propagam pelas redes sociais.

“A ideia da oficina é mais do que só trazer desmentidos, mas oferecer também um saber contextual para as pessoas estarem capacitadas a resistir (às notícias falsas) de uma forma mais razoável”, explica Andriolo. “O tema da desinformação precisa estar presente em cada uma das áreas do conhecimento de forma transversal, principalmente a partir da adolescência. O sentido é prepará-los para vivenciar essa comunicação, que é natural para essa geração, com um olhar mais atento”, complementa Araujo, que atualmente é subsecretária de cultura da cidade de Nitéroi (RJ). A oficina contou com a parceria da Cooperação Social da presidência da Fiocruz.

A área de história da ciência também ganhou destaque no dia 20 de outubro. Larissa Velasquez, pós-doutoranda do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), esteve no evento representando o IFF, que promoveu uma exposição de preparação para os 100 do instituto – comemorados em 2024. “Nesta mostra, contamos a trajetória desde 1924, quando o IFF foi criado. Em 1970, ele foi incorporado à Fiocruz. É um lugar de atuação múltipla, que conta com programas de pós-graduação, residência médica, pesquisas, banco de leite materno e outros serviços. Foi também o primeiro banco de sangue do Brasil. É referência em muitas áreas de atendimento”, relata.

Para os servidores, a funcionária Carla Borba, representante do Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc), esteve na Feira de Ciências e Tecnologia para falar sobre direito trabalhista. A Asfoc dialogou com servidores e terceirizados sobre o que o Sindicato faz pela força de trabalho da instituição. “A representação sindical é essencial. Temos também uma oferta de atividades culturais e voltadas para a qualidade de vida do trabalhador, como exercícios físicos”, pontua.

 

Miscelânea de saberes culturais e científicos

Os alunos do Colégio Vicentino da Imaculada Conceição assistiram ao curta “Diversidade e hierarquias: a saúde no Rio de Janeiro na época da Independência”, produzido pela Casa de Oswaldo Cruz (COC). O vídeo tem como foco os saberes médicos do Brasil. A partir de uma descrição da cidade, o vídeo mostra as possibilidades disponíveis de tratamento médico para as diferentes parcelas da população naquela época. “Semana que vem vamos lançar esse e mais quatro vídeos sobre a questão da Independência do Brasil no YouTube da COC. No vídeo de hoje, abordamos o período de 1822-1922, bem como o tempo presente”, informa Lorelai Kury, pesquisadora da unidade.

Quem se encanta pelo mundo das borboletas também teve o seu momento. Os alunos do Colégio Pedro II de Maricá participaram da atividade “De lagarta a borboleta, muita história para contar”, oferecida pelo Instituto Oswaldo Cruz. Uma das alunas da escola chegou a registrar em desenhos todas as fases da metamorfose desses insetos durante a explicação da especialista do espaço, Geralda da Paz. “Passar o conhecimento para a nova geração é muito importante”, afirma Paz, que trabalha há 11 anos no Borboletário.

Na oficina “Ciência Fora da Caixa: iluminando a curiosidade do dia a dia”, a luz foi o centro das atenções. As expositoras Juliana Santanna e Carla Renes, do Sesc Departamento Nacional, arrancaram muitas risadas dos alunos do Ciep Luiz Peixoto, que fica em Queimados. Ao darem resposta à pergunta “Por que não conseguimos olhar para o sol?”, ambas mantiveram os alunos atentos durante a realização de um experimento de observação da luz ultravioleta.

O momento que os alunos mais gostaram foi a demonstração do uso de um microscópio caseiro, feito apenas com uma seringa contendo uma pequena quantidade de água desidratada e um laser de luz verde. A luz da lanterna projetada na parede mostra microrganismos presentes na água. “Para eles, é importante esse conhecimento, principalmente para alunos em fase de vestibular. Em sala de aula, a gente não consegue, porque não temos esses aparatos”, relata a professora de biologia Nayara Souza.

Dos primórdios aos tempos atuais

Na atividade “Rastros evolutivos – Contação de história”, crianças de 6 a 8 anos de idade tiveram contato com fósseis e reproduções em tamanho real de ancestrais da espécie humana. “As crianças pequenas sempre trazem colaborações inesperadas que agregam muito. A gente tem que fazer algumas adaptações, porque o tempo de atenção delas é menor do que o de pessoas mais velhas”, conta Alexandre Lobato, analista de educação do Sesc Ciência. Durante o bate-papo, alguns pequenos responderam com convicção às perguntas dos educadores e reconheceram até um pedaço de boca de milhares de anos pela arcada dentária: “O mais legal é que eles já sabiam os nomes das peças, ‘isso aqui é um fóssil’, ‘isso aqui fica igual um quebra-cabeça, tem um pedacinho do fóssil aqui’. A criança traz muito do mundo dela; a gente só tem que encontrar os caminhos para se comunicar com ela”, completa Lobato.

Desde os primeiros humanos, a menstruação está aí. E como a humanidade coletou esse sangue no decorrer dos séculos? Você sabia que para assegurar a dignidade menstrual a todas as pessoas que menstruam é necessário ter infraestrutura adequada, educação menstrual, tecnologias menstruais, serviços de saúde, ambientes sociais e inclusão social? É com essa reflexão do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) que um grupo da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV) trouxe o projeto “Evolução de Tecnologias Menstruais”. Trata-se de um catálogo de réplicas de coletores e absorventes menstruais patenteados nos séculos XIX e XX em comparação às opções que temos disponíveis atualmente. “A gente queria mesmo chocar e trazer uma reflexão, por conta de tudo que passamos até conquistarmos os absorventes e coletores de hoje”, explica Hellem Banci, aluna da EPSJV.

Enquanto isso, na oficina “Corpos Sustentáveis: a sociedade busca a reprodução”, integrantes de três equipes se moviam em um “campo minado interativo”, no qual as pessoas são as próprias peças e vão desvendando os caminhos do mapa. Ao final, quem respondesse corretamente à pergunta principal vencia a rodada. “A oficina tem como objetivo integrar os conhecimentos sobre o corpo, sustentabilidade e meio ambiente com tarefas ativas e a preocupação com a questão ambiental“, explica Vitória Sanches, profissional de educação física do Núcleo Alimentação, Saúde e Ambiente (Nasa/Fiocruz).

Já a atividade “O olhar individual sobre o espaço observado: desenho de observação” atraiu desde crianças pequenas a adultos, que entregaram desenhos caprichados e realistas, bem como outros mais abstratos. “É uma oficina de desenho sem a pretensão do ‘desenhar profissional’, mas de expressar por meio da representação do que está vendo e sentindo, do que está sendo absorvido aqui na SNCT como conhecimento”, conta Thalles Yvson, curador do Centro de Memória da UFRRJ.

E quanta coisa foi absorvida! Agora, nos vemos em 2024!

 

Publicado em 20 de outubro de 2023. 

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