Por Cristiane Albuquerque (COC/Fiocruz)
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entrega à população do Rio de Janeiro, inteiramente restaurada, uma das edificações históricas do seu núcleo original: o conjunto do Pombal, no campus de Manguinhos. O espaço abre ao público com a exposição de longa duração Pombal: do mangue ao mundo, dedicada a explorar as conexões entre ciência, território e meio ambiente. A inauguração, em 27 de março, às 9h, na Tenda da Ciência Virginia Schall, integra a agenda cultural em celebração dos 125 anos da Fundação. A abertura da exposição para o público acontece no sábado, dia 28 de março, a partir das 10h.
Integrada ao circuito de visitação do Museu da Vida Fiocruz, a mostra convida os visitantes a refletir sobre os impactos da urbanização, as desigualdades ambientais e os desafios contemporâneos que relacionam saúde e sustentabilidade. A abertura do Pombal é resultado do amplo processo de restauração conduzido pelo Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) da instituição e do desenvolvimento de uma nova exposição de longa duração pelo Museu da Vida, a ação integra o plano de requalificação do Núcleo Arquitetônico Histórico de Manguinhos.
A inauguração contará com a exibição do episódio “Por trás dos tapumes”, da série Fiocruz preservando o patrimônio das ciências e da saúde, e a apresentação do trailer do documentário “O Pombal Gira”, que resgata a memória do movimento cultural surgido na virada dos anos 1990, responsável por transformar o antigo biotério em um espaço de encontro, arte e convivência na Fiocruz. A atividade também prestará uma homenagem à Olga D’arc, idealizadora do movimento, reconhecendo seu papel fundamental na ressignificação do Pombal como espaço coletivo e cultural. A atividade se encerra com a inauguração oficial do espaço.
Construído em 1904, o conjunto foi projetado para abrigar animais de pequeno porte utilizados em pesquisas científicas. O Pombal também ficou marcado pelo uso de pombos-correio, que garantiam a comunicação entre o então Instituto Oswaldo Cruz e a Diretoria Geral de Saúde Pública, no centro do Rio de Janeiro na primeira metade do século 20.
De acordo com Diego Vaz Bevilaqua, vice-diretor de Patrimônio Cultural e Divulgação Científica da Casa de Oswaldo Cruz, o Pombal se firma como um ponto de encontro entre patrimônio, ciência e sociedade, conectando a memória da pesquisa em saúde a debates contemporâneos sobre ambiente e sustentabilidade.
“Com a nova exposição, o edifício passa a integrar pela primeira vez o circuito de visitação do Museu da Vida Fiocruz, ampliando as áreas abertas ao público no campus da Fiocruz. Pombal: do mangue ao mundo aborda um tema cada vez mais estratégico diante dos impactos das mudanças climáticas na saúde e nas condições de vida das populações”, afirma.
A exposição é organizada em módulos chamados “viveiros”. Enquanto o Viveiro Testemunho preserva estruturas originais do edifício, o Pombal de Memórias reúne depoimentos de antigos trabalhadores e pesquisadores. Outros viveiros abordam a transformação do bairro de Manguinhos, os efeitos da poluição na saúde, as desigualdades ambientais e a evolução ética da pesquisa científica.
A mostra conta com recursos de acessibilidade e apresenta textos em português e inglês.
Restauração e acessibilidade
Com arquitetura singular, o Pombal integra o conjunto histórico que deu origem à instituição e se consolidou como um dos símbolos da trajetória da pesquisa em saúde no país. Ao longo do tempo, o espaço acumulou diferentes camadas de uso e memória, incluindo iniciativas culturais que reforçaram sua vocação como local de encontro no campus histórico.
A restauração do Pombal compreendeu a recuperação dos oito módulos originais e da torre central, a estabilização do solo e das fundações, o restauro de acabamentos e de elementos decorativos inspirados na natureza (rocailles), a recomposição de revestimentos e a readequação das instalações elétricas. O projeto também incluiu intervenções de paisagismo e criação de espaços de convivência ao ar livre, além da adoção de soluções de acessibilidade.
Durante a obra, foram realizadas ações, como cursos de qualificação profissional e ciclo de palestras, no âmbito do Programa de Educação Patrimonial, além da iniciativa “Canteiro Aberto”, que promoveu visitas guiadas à obra, abertas ao público e conduzidas por arquitetos do DPH, em parceria com a empresa Biapó, responsável pela execução do projeto.
Parcerias institucionais
A abertura do Pombal, a nova exposição e o Programa de Educação Patrimonial são realizados pelo Ministério da Cultura e o Governo Federal do Brasil, em conjunto com a Casa de Oswaldo Cruz, com gestão cultural da Sociedade de Promoção Sociocultural da Fiocruz (SOCULTFio). O projeto conta com apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e patrocínio do Instituto Vale, da Basf, da Enauta e da Bayer, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Serviço
Inauguração do Pombal e Exposição Pombal: do mangue ao mundo
Inauguração: 27 de março de 2026, às 9h, Tenda da Ciência Virginia Schall
Abertura da exposição para o público: 28 de março de 2026
Onde: Museu da Vida Fiocruz, campus da Fiocruz em Manguinhos, no Rio
Endereço: Av. Brasil, 4365 – Manguinhos – Rio de Janeiro
Entrada: Grátis
Funcionamento: de terça a sexta, das 9h às 16h30, e aos sábados, das 10h às 16h
Publicado em 26 de março de 2026. Atualizada em 27 de março de 2026.


