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Por Carolina Vaz, Lucas de Holanda e Teresa Santos

Crédito: Vitor Vogel/COC Fiocruz

A mostra 'Favela viva: enfrentamentos à pandemia Covid-19 em Maré e Manguinhos', que está em cartaz no Pavilhão do Relógio, no campus Fiocruz Manguinhos, foi inaugurada no dia 1° de junho. Durante a cerimônia, também foi lançada a exposição virtual 'Memórias da Covid'. O evento marcou ainda a reabertura do prédio do Relógio, um dos primeiros edifícios construídos no campus de Manguinhos, em 1904, e que, agora, conta com um sistema de climatização modernizado.

A exposição 'Favela Viva', que é uma realização do projeto Promoção de Territórios Saudáveis e Sustentáveis em Maré e Manguinhos (PTSS) e foi elaborada a partir de uma parceria entre o Museu da Vida Fiocruz, a Rede CCAP e o Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (Ceasm), oferece um olhar humanizado sobre como os moradores da Maré e de Manguinhos atravessaram a crise sanitária global. Além disso, ela foi elaborada a partir de uma curadoria participativa e colaborativa, construída em conjunto com movimentos sociais, estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e moradores desses territórios.

Exposição ‘Favela Viva’ registra luta dos moradores de Maré e Manguinhos

Da esquerda para direita, Beth Campos, Marcos José de Araújo Pinheiro, Valcler Rangel, Chico Alencar e Cláudia Rose. Crédito: Vitor Vogel/COC Fiocruz

 

Durante a cerimônia de inauguração, Beth Campos, da Casa Viva e Rede CCAP e uma das curadoras da exposição, destacou que a Covid-19 remete a muitas angústias e sensação de perda, mas apesar da tristeza, há esperança. Para ela, a mostra ‘Favela Viva’ retrata um agradecimento à Fiocruz por toda sua atuação durante a crise global. Além disso, traz também o empenho da favela: “Nós por nós”, destacou.

Já Cláudia Rose, do Ceasm e também curadora da mostra, lembrou como se consolidou a frente de mobilização da Maré durante a pandemia da Covid-19. O movimento promoveu diversas ações, entre elas, distribuição de cestas básicas e de kits de limpeza, bem como divulgação de informações, em parceria com a Fiocruz.

Marcos José de Araújo Pinheiro, diretor da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), lembrou que ‘a história da pandemia não pode ser contada apenas pelos números’. Para ele, o lançamento da nova exposição celebra a reabertura do Pavilhão do Relógio com o novo sistema de climatização, o que também fortalece a candidatura da Fiocruz à Patrimônio Mundial pela Unesco.

O educador do Museu da Vida Fiocruz Alessandro Batista, coordenador da exposição ‘Favela Viva’, ressaltou que a mostra tem um duplo desafio: “registrar a luta histórica dos moradores de favela e provocar reflexões e divulgação científica”.

Já Luís Amorim, chefe do Museu da Vida Fiocruz, destacou que entregas como a nova exposição fortalecem o Museu “como um espaço de diálogo, de fomento à democracia, à cidadania científica hoje, ontem, esse ano inteiro e para sempre”.

Também estiveram presentes na cerimônia Valcler Rangel, da Vice-presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS), Rosana Soares, do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) da COC/Fiocruz, e o Deputado Federal Chico Alencar, que foi autor da emenda parlamentar que contribuiu para execução da exposição 'Favela Vida'.

Em entrevista, Paula Scofano, coordenadora da exposição ‘Favela Viva’, destacou que a entrega da mostra é uma honra, mas também uma responsabilidade de muitos âmbitos. “Responsabilidade ao contemplar todos que participaram das pesquisas nestes três anos. Responsabilidade em honrar a memória das mentes e corações envolvidos. Responsabilidade ao construir conhecimento científico, bem como em promover sua divulgação acessível para todos. Responsabilidade, primordialmente, em construir uma história que honre os enfrentamentos das favelas da Maré e de Manguinhos durante a pandemia de Covid-19", destacou.

Mostra virtual traz galeria de fotos e acervo de história oral

Da esquerda para direita, Simone Kropf, Alessandro Batista e Luís Amorim. Crédito: Vitor Vogel/COC Fiocruz

O dia também foi de lançamento da exposição virtual 'Memórias da Covid', que pode ser acessa em: memoriasdacovid19.fiocruz.br. A plataforma on-line apresenta uma linha do tempo da pandemia do SARS-CoV-2, o novo coronavírus, com foco na atuação da Fiocruz. A mostra virtual traz registros de acontecimentos entre dezembro de 2019, quando surgiram os primeiros alertas internacionais sobre a doença, e maio de 2023, marco do encerramento da emergência sanitária global pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Simone Kropf, pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), explicou, durante o evento de lançamento, que a plataforma conta com uma linha do tempo interativa, cobrindo as principais ações da Fiocruz durante a pandemia de Covid-19, além de uma galeria de fotos e um acervo de história oral, com 61 depoimentos. "A exposição enaltece a ciência, mas é também um tributo para as vítimas", destacou.

Também participaram da cerimônia de lançamento Thiago Lopes, pesquisador da COC/Fiocruz, e o designer Rogério Fernandes, do Serviço de Design e Produtos de Divulgação Científica (SDPDC).

Nísia Trindade, pesquisadora emérita da Fiocruz e que presidiu a Fiocruz durante a pandemia de Covid-19, esteve presente no evento e destacou que o Brasil que tem o Sistema Único de Saúde (SUS), que tem ciência, que tem a força da participação social dos territórios não pode permitir que uma crise semelhante a que vivemos com o novo coronavírus se repita.

 

Publicado em 12 de junho de 2026.

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