Confira a mais recente edição do informativo do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica!

Informativo do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica do Museu da Vida
Ano XXII - nº. 337. RJ, 10 de julho de 2026.
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Leia no boletim Ciência & Sociedade de julho:
Em função da legislação que rege a atuação de agentes e instituições públicas no período do defeso eleitoral, entre os dias 4 de julho e 25 de outubro, o Ciência & Sociedade será publicado sem o texto de abertura.
- Para além da academia
- Pesquisadores sob ataque
- O que os livros infantis contam para as crianças?
- Como jovens de Belém experienciaram a Covid-19?
- Circuito sobre mudanças climáticas
- A utilidade da revisão por pares abertas para jornalistas
- 78ª Reunião Anual da SBPC de olho na desinformação e na inclusão
- Saúde mental e comunidades
- Chamada de artigos da JCOM América Latina
- Vaga de professor em DC no Reino Unido
Leituras
Para além da academia – Periódicos científicos costumam ter a comunidade acadêmica como público prioritário. A comunicação com outras audiências, porém, tem se tornado cada vez mais importante e até estratégica para a política editorial de algumas publicações. É o que mostra o artigo “A revista científica para além de especialistas: as estratégias de comunicação dos periódicos The New England Journal of Medicine e The Lancet”, publicado recentemente na História, Ciências, Saúde-Manguinhos e que se debruça sobre duas das principais revistas científicas da área da saúde. As autoras analisaram 47 publicações de ambos os periódicos, sobre mudanças editoriais relacionadas às suas estratégias de comunicação. O estudo evidencia que as duas revistas compreenderam, muito antes da popularização da internet, que a circulação do conhecimento científico também dependia da interação com outros públicos. Inicialmente, essa comunicação ocorria por meio de editoriais em linguagem acessível, do relacionamento com jornalistas e da produção de materiais informativos. Com a expansão das tecnologias digitais, tais ações foram fortalecidas por sites, redes sociais, conteúdo multimídia, newsletters e ações sistemáticas de divulgação científica. Os indicadores de altimetria demonstram que o investimento ampliou a visibilidade internacional das pesquisas publicadas e fortaleceu a presença das revistas no debate público. Leia aqui o artigo completo.
Pesquisadores sob ataque – A hostilidade que a ciência enfrenta num contexto de pós-verdade e de polarização política traz importantes desafios para a divulgação científica. Se, por um lado, cientistas são fortemente estimulados a divulgar seu trabalho e a dialogar com diferentes públicos, por outro, nem sempre encontram apoio institucional para fazê-lo e ainda menos para defendê-los em caso de ataques, que se tornam cada vez mais frequentes. A edição de julho da revista JCOM traz uma série de comentários intitulada "Pesquisadores sob Ataque", que situa a hostilidade em relação à ciência no contexto de transformações mais amplas nos ecossistemas de mídia, na polarização política e na contestação da autoridade epistêmica. A série reúne perspectivas interdisciplinares e internacionais, destacando como as experiências de hostilidade variam entre sistemas políticos, contextos institucionais, disciplinas e identidades sociais. As contribuições examinam o assédio online, os ataques baseados em gênero, a desinformação, a liberdade acadêmica, as falhas institucionais e as dinâmicas paradoxais da visibilidade na comunicação digital. Coletivamente, elas enfatizam a necessidade de pesquisas empíricas mais sistemáticas, estruturas de apoio institucional mais robustas e abordagens conceituais matizadas que distingam a hostilidade da crítica legítima, ao mesmo tempo em que reconhecem a importância da comunicação pública da ciência para a democracia. Acesse aqui o editorial que introduz a série.
O que os livros infantis contam para as crianças? – A literatura infantil de temática científica tem um papel importante na formação do imaginário dos jovens leitores, moldando suas primeiras visões de mundo e contribuindo para a consolidação de uma cultura científica na sociedade. É, portanto, fundamental entender quais as representações da ciência, dos cientistas e dos papéis de gênero, raça e classe presentes em obras publicadas no Brasil. O artigo "Histórias de ciências para crianças: uma análise de livros infantis em uma perspectiva de narrativas invisibilizadas", publicado na revista Alexandria, traz dados e reflexões atuais sobre o tema. Os autores levantaram livros infantis indicados na seção literária da revista Ciência Hoje das Crianças entre 2012 e 2020, delimitando o escopo da análise em sete exemplares. A análise qualitativa das obras revela um cenário de contrastes. Em relação aos elementos científicos, “as obras selecionadas demonstraram um discurso bastante alinhado com as boas práticas da divulgação científica, cumprindo bem o papel informativo”, afirmam os autores. No entanto, do ponto de vista das representações sociais, a reprodução tradicional de papéis de gênero, raça e classe ainda está presente em todos os livros analisados. Apesar de alguns avanços, os estereótipos que invisibilizam determinados grupos sociais ainda persistem. Leia aqui o artigo completo.
Como jovens de Belém experienciaram a Covid-19? Para responder a pergunta, Vanessa Brasil e Carla Almeida investigaram diferentes dimensões das representações sociais sobre a pandemia construídas por jovens paraenses de 18 a 24 anos, bem como o impacto dessas representações em seu cotidiano. Foram conduzidos quatro grupos focais em Belém com jovens de diferentes perfis socioeconômicos (estudantes de universidades públicas e privadas) e filiações religiosas (católicos e evangélicos). Os debates revelaram um núcleo representacional intensamente negativo, marcado por medo, tristeza e incerteza, alimentado por perdas pessoais e pela cobertura midiática alarmista. A televisão emergiu como a fonte mais confiável de informações sobre a pandemia, enquanto as redes sociais foram vistas como polos de desinformação. Por outro lado, o excesso de informações, muitas vezes imprecisas ou até mesmo falsas, desencadeou o fenômeno chamado de “evitação de notícias”. Os resultados completos da pesquisa podem ser conferidos no artigo “A representação social da covid-19 construída por jovens adultos: estudo de caso em Belém, Pará”, publicado em junho na revista Reciis.
Ações
Circuito sobre mudanças climáticas – Se a Terra se tornar inabitável, para onde iremos? O Parque Cientec, da USP, convida seus visitantes para percorrer um circuito com atividades sobre mudanças climáticas, meteorologia, biologia, geofísica, astrobiologia, geociências e astronomia. Serão sete estações representando cada uma dessas áreas, que apresentarão sua perspectiva sobre a questão. O objetivo é promover a educação científica e a sensibilização ambiental por meio de um circuito interativo. A atividade acontecerá nos dias 17 e 18 de julho, entre 13h e 17h30, com grupos de dez pessoas saindo a cada 30 minutos. O público-alvo são estudantes, famílias e interessados em ciência. O circuito tem duração de aproximadamente três horas, com 20 minutos dedicados a cada estação. É preciso chegar meia hora antes do horário agendado. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pela plataforma Sympla, nos respectivos links: dia 17 de julho e dia 18 de julho. Para mais informações, clique aqui.
A utilidade da revisão por pares abertas para jornalistas – Você é jornalista cobrindo temas de ciência, saúde ou meio ambiente? Se for, participe do estudo “O uso da revisão por pares aberta no jornalismo científico: Uma Abordagem Centrada no Usuário”, conduzido por Alice Fleerackers (Universidade de Amsterdã, Países Baixos), Juan Pablo Alperin (Universidade Simon Fraser, Canadá) e Mario Malički (Universidade de Stanford, EUA). A pesquisa visa compreender como jornalistas científicos percebem e utilizam pareceres de revisão por pares abertos em seu trabalho. Com ela, busca-se entender quais características de um parecer de revisão o tornam útil para um jornalista científico, com o objetivo de orientar o desenvolvimento de uma infraestrutura de revisão aberta. A participação envolve o preenchimento de um questionário, o que leva aproximadamente cinco minutos. Para mais informações e para acessar o formulário, clique aqui.
Eventos
78ª Reunião Anual da SBPC de olho na desinformação e na inclusão – Reflexões sobre inclusão, mídia, desinformação, ciência e emergência climática estarão presentes na próxima Reunião Anual da SBPC, que acontece de 26/7 a 1/8 na Universidade Federal Fluminense, em Niterói (RJ). Na programação, bastante rica e diversa, está prevista, por exemplo, a conferência “A mídia brasileira diante da emergência climática: omissão ou protagonismo?”, ministrada por André Trigueiro, jornalista da GloboNews. Há ainda as mesas-redondas “Educação midiática e inclusão: caminhos para a soberania informacional” e “A economia da desinformação científica: plataformas, lucro e os novos desafios para a ciência”. A inscrição é gratuita, com exceção da participação em minicursos presenciais e remotos. Inscreva-se aqui.
Saúde mental e comunidades – Apesar da crescente atenção voltada à pesquisa em saúde mental, as vozes da comunidade frequentemente carecem de representatividade na concepção, implementação e divulgação de iniciativas de pesquisa. Reconhecendo a importância do diálogo colaborativo, a Global Health Network promove, no dia 15/7, às 8h (horário de Brasília), webinar gratuito sobre o papel do engajamento comunitário no fortalecimento das pesquisas e ações voltadas à saúde mental. Para mais informações e inscrições, clique aqui.
Oportunidades
Chamada de artigos da JCOM América Latina – Refletir sobre a democratização da ciência é a proposta da próxima edição especial da revista JCOM América Latina. Com o tema “Ciência fora da bolha”, o dossiê reunirá estudos que problematizem as estruturas excludentes da divulgação científica e lancem luz sobre práticas inclusivas voltadas a grupos em situação de vulnerabilidade, como povos indígenas, quilombolas, idosos, imigrantes e a população LGBTQIAPN+. Serão priorizados artigos com resultados de pesquisas empíricas, mas relatos críticos de caso nas áreas de ciência, saúde e meio ambiente também são bem-vindos. Os trabalhos, em português ou espanhol, podem ser enviados até o dia 10/8. Não há taxa para submissão ou publicação. Para mais informações, clique aqui.
Vaga de professor em DC no Reino Unido – A Unidade de Divulgação Científica (SCU) da Universidade do Oeste da Inglaterra (UWE Bristol), no Reino Unido, com forte atuação prática e acadêmica no campo, está buscando um professor-pesquisador. O candidato selecionado deverá conceber e ministrar disciplinas nos programas de pós-graduação da unidade, presenciais e virtuais, e contribuir diretamente para a pesquisa e a troca de conhecimentos no âmbito da SCU. Trata-se de uma vaga permanente de meio expediente. O prazo para envio de candidaturas termina no dia 7/9. Para mais informações, clique aqui.
Tem uma sugestão de notinha para a próxima edição do boletim Ciência & Sociedade? Oba! Envie para o e-mail <
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Ciência & Sociedade é o informativo eletrônico do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica do Museu da Vida (Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz). Editores de Ciência & Sociedade: Carla Almeida e Marina Ramalho. Redatores: Luís Amorim e Rosicler Neves. Projeto gráfico: Barbara Mello. Informações, sugestões, comentários, críticas etc. são bem-vindos pelo endereço eletrônico <
Publicado em 24 de julho de 2026.




