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Por Renata Fontanetto, Tatiane Lima, Deborah Araujo, Renata Bohrer, Julianne Gouveia, Luiza Toschi e Nathalia Mendonça

 

Ciência e arte andaram de mãos bem grudadas no terceiro dia (19/10) da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) na Fiocruz, no Rio de Janeiro. Na Feira de ciências e tecnologia, o corredor lotou de atrações criativas e lúdicas. Voltada para crianças, uma dessas atividades foi a “Voa Passarinho”. Maria Penha, professora e arte-educadora, sempre traz uma proposta de conexão com o meio ambiente para a SNCT, pensando em tecnologias ancestrais que comunicam a relação da humanidade com a natureza. O teatro lambe-lambe, uma linguagem teatral brasileira, foi o escolhido para contar a história de um passarinho que depende de uma árvore para sobreviver. Em troca, o pássaro também ajuda a árvore a se manter. “Eu questiono aos visitantes: o que nós, seres humanos, temos a oferecer às árvores?”, conta Penha, que é ex-aluna da especialização Ciência, Arte e Cultura na Saúde, do Instituto Oswaldo Cruz.

Outra ação com potencial artístico e de brincadeira foi a “Maratona Ambiental Ecotroca”, da Ecotroca Oficial de Manguinhos, que, em parceria com a Cooperação Social da presidência da Fiocruz, levou à SNCT um jogo de tabuleiro gigante de chão. A experiência acumulada de educação ambiental no território orientou a dinâmica. “De acordo com as casas em que as crianças caem no tabuleiro, há uma carta correspondente. Por exemplo, “Que mancada! Você não separou o plástico para reciclar. Volte duas casas!”, detalha Fábio Monteiro, da Cooperação Social. Os conteúdos servem a todas as idades, mas a criançada é quem mais faz a festa na hora do jogo.

Agora, imagine um supercomputador que faz cálculos precisos e numa fração de segundos. Sim, um pedacinho dele estava na feira de ciências! O bioinformata Rafael Ferreira, da Plataforma de Bioinformática da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas, foi um dos responsáveis da atividade “Supercomputadores em ação na saúde”. Segundo ele, esses gigantes tecnológicos podem ajudar na resposta a emergências em saúde pública. “Por exemplo, dando suporte computacional a pesquisadores da Fiocruz em todo o país. O seu notebook de casa tem oito processadores e uns 8 gigas de memória RAM. Nós temos 1800 processadores e cerca de 12 mil gigas de memória. Calculamos trilhões de dados por segundo. Com isso, é possível identificar muitas variantes de vírus ou mesmo calcular fármacos novos”, afirma.

Saindo dos computadores e indo para o universo dos insetos, uma coisa é certa: depois dos mosquitos, os carrapatos são os maiores transmissores de doenças, como a febre maculosa – doença infecciosa que pode acarretar quadros graves. Em “Desvendando a doença do carrapato: febre maculosa brasileira”, o Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), elaborou um jogo que ainda é protótipo e promete ser um produto importante de divulgação científica para escolas. “No jogo de tabuleiro, há uma trilha ecológica e é preciso se livrar dos carrapatos respondendo uma série de perguntas sobre o inseto e a doença”, informa Leonardo Morgado, bolsista do laboratório.

O reino animal também foi o assunto do estande do Museu Nacional (MN) na feira. De acordo com Igor Rodrigues, chefe da Seção de Assistência ao Ensino (SAE) do museu, o MN está mais vivo que nunca e encantou visitantes com materiais que representam todo a instituição e que abordam as ciências básicas no desenvolvimento sustentável. “Esse material está acessível para crianças de várias escolas. Quem quiser solicitar o empréstimo pode encaminhar um pedido para o contato disponível da SAE no nosso site, informando qual é o grupo zoológico de interesse”, detalha Rodrigues.

 

Matemática (e música) é para todas, todes e todos!

Você sabia que para brincar de mágico são necessários apenas alguns truques matemáticos? Os expositores da atividade “Desafios Matemáticos”, do Sesc Departamento Nacional, deram algumas ideias. Em uma das brincadeiras, os visitantes escolhiam um número dentro de um grupo escrito em cada cartão. O número escolhido sempre é descoberto por quem embaralha as peças. A explicação dada pelos expositores é que cada cartão segue uma sequência matemática – e o resultado da soma revela o número escolhido.

Não só brincadeiras que envolvem cálculos foram apresentadas nessa atividade. Houve tarefas para estimular o raciocínio lógico para resolução de tarefas, como aprender a separar duas peças metálicas que estão entrelaçadas. “A matemática não envolve só números. É um pensamento crítico. Envolve também uma forma de pensar que precisa ser desenvolvida desde quando somos pequenos”, afirma Juliana Santana, analista de educação do Sesc.

E a matemática da confecção de remédios? Sim, está tendo! Este ano o público contou novamente com uma impressora 3D que elabora medicamentos, sendo capaz de juntar vários comprimidos em um só e ajudando na ingestão. “A novidade deste ano é que fizemos uma parceria com uma startup, a 593 ICAN, que trouxe uma impressora nova com uma tecnologia diferente. Isso permitiu fazer remédios com texturas que lembram alimentos úmidos, como geleias, facilitando a ingestão para crianças, idosos e mesmo os animais”, ressalta Ana Paula Matos, tecnologista em pesquisa farmacêutica do Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz.

Se a matemática está em todos os lugares e é uma linguagem de várias ciências, a música que o diga! O auditório do Museu da Vida Fiocruz foi o palco para uma apresentação especial da Orquestra de Câmara do Palácio Itaboraí (OCPIT), projeto do Fórum Itaboraí: Política, Ciência e Cultura na Saúde (Fiocruz Petrópolis). O concerto apresentou músicas da trilha sonora do e-book “Descobertas com Bernadete durante a Pandemia de Covid-19”, de Beatriz Schwenck (disponível para download em museudavida.fiocruz.br), além de outras canções do repertório clássico sob a regência do maestro Celson Franzen.

A Orquestra de Câmara do Palácio Itaboraí é composta por jovens da rede pública de ensino de Petrópolis (RJ), que recebem três anos de formação e já conta com egressos em algumas escolas e cursos de graduação em música da região Sudeste. “A gente, como (representantes da) Fiocruz, acredita que saúde não é só ausência de doença. A gente acredita muito que a saúde vai além da questão médica, mas que passa pelo bem-estar, felicidade e bem-viver. Então, acreditamos que a arte e a cultura passam por essa perspectiva de ampliar os horizontes desses jovens”, afirmou Nina Mayer, diretora executiva da orquestra. A atividade também apresentou alguns instrumentos musicais que compõem a orquestra, como violino, violoncelo e clarineta.

 

Comunicação acessível e consciência socioambiental

No auditório do CDHS da Casa de Oswaldo Cruz, uma turma de 3º ano do ensino médio interagiu muito no bate-papo “Hepatite C: diagnóstico é fácil e tem cura”, com Hugo Perazzo, médico-hepatologista e pesquisador em Saúde Pública do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas. “Tivemos oportunidade de ver essa palestra que foi muito esclarecedora, ainda mais para nós que somos professores de biologia! Ele mostrou a importância dessa doença que não é negligenciada, mas é pouco conhecida”, comentou Deise da Silva Jacques, professora do Centro Interescolar Estadual Miécimo da Silva, em Campo Grande.

Na oficina socioambiental “Ecoliterária com ecotrocas” (realizada em 18/10), da Rede CCAP, a mediadora Grace Ellen interagiu com estudantes do sexto e do nono ano da Escola Municipalizada de Inoã, em Maricá. A partir da leitura de livros e jogos coletivos, a atividade estimulou que as crianças experimentassem separar objetos que seriam jogados no lixo a partir de seus materiais e tentassem adivinhar quanto tempo demoram para se decompor completamente. A mediadora de alunos da escola, Cristiane Anjos, avaliou que a oficina foi ótima para a turma: “Eles são muito novos e atividades mais lúdicas são o que realmente atrai e ensina”, avalia.

Segundo Ellen, os livros da atividade são ferramentas de conscientização. “Somos uma biblioteca, então buscamos através do livro, da arte e da leitura promover uma conscientização sobre sustentabilidade, principalmente o destino que damos para o lixo. O paradoxo é que estamos na comunidade de Manguinhos, onde não tem coleta seletiva – mal tem coleta normal”, alerta.

Outra atração do dia 18/10 que rendeu comentários dos visitantes foi a exposição “Existe meio ambiente em favelas?”, apresentada pelo Observatório da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha por meio da parceria com a Cooperação Social da Fiocruz, a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) e o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict). Quando o recorte é o território de favela, existe falta de acesso a quatro componentes essenciais: água potável, coleta de lixo, tratamento de esgoto sanitário e manutenção de águas pluviais. A geógrafa Rejany Ferreira, integrante do Observatório e pesquisadora bolsista da Cooperação Social, indica a importância da mostra: “Meio ambiente é tudo. Quando falamos de favela, falamos de um meio ambiente que, em muitas partes, os serviços públicos não chegam de forma qualificada”, observa.

Fora do campus Manguinhos, o Ciência Móvel do Museu da Vida Fiocruz conduziu mais um dia intenso de atividades no Sesc São Gonçalo. Que tal fazer uma viagem pelo corpo humano? Na atividade ‘Por dentro de Nós’, os visitantes são levados a investigar o corpo humano a partir de um conjunto de modelos anatômicos. O público pode ver de pertinho modelos de mama, do torso humano, órgãos reprodutores e muito mais. “Gostei de ver o desenvolvimento do bebê. Também aprendi várias coisas sobre o nosso ouvido. Vi o que tem dentro dele e aprendi como usar o cotonete. Gostei também da parte dos sons”, diz empolgada Esther Santiago, de 10 anos. As atividades do Ciência Móvel integram a programação da SNCT Fiocruz e podem ser visitadas gratuitamente no Sesc de São Gonçalo até o dia 20 de outubro, das 10h às 16h.

 

Publicado em 20 de outubro de 2023. 

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