
A exposição “Coexistir, Coabitar” abre ao público no próximo sábado (31), às 16h, no Largo das Artes, no Centro do Rio de Janeiro. A mostra apresenta os resultados de um programa de residência artística pedagógica que articulou arte, justiça e saúde ampliada como práticas de cuidado, escuta e transformação coletiva. Desenvolvido a partir da convivência e da criação compartilhada pautadas nos sentidos e formas de produção artística contemporânea, o projeto reuniu jovens egressos dos sistemas prisional e socioeducativo, e seus familiares, fortalecendo a arte como exercício de cidadania e como ferramenta para a promoção de direitos e bem-estar.
Ao longo da residência, a arte foi um recurso estratégico para práticas de cuidado, criando espaços de diálogo, acolhimento e construção de vínculos. Nesse processo, a justiça teve eixo central, orientando práticas que reconheceram as trajetórias, os territórios e os saberes dos participantes, afirmando a criação artística como possibilidade de emancipação, a partir de uma compreensão ampliada de saúde.
Para Anna Luísa Oliveira, coordenadora geral do projeto, a exposição apresenta o resultado de um processo de formação que permite ao público reconhecer sentidos de justiça no campo da arte, a partir de diferentes expressões e materialidades. As obras são pautadas em vivências e experiências comuns a muitos jovens brasileiros, especialmente aqueles oriundos de favelas e periferias. “Trata-se da tradução de planos e estratégias de bem viver e realização de sonhos pautadas na liberdade plena, notadamente de pessoas negras e originárias, tão logo a exposição é fortemente marcada na apresentação de artistas visuais com esses perfis”, destaca.
As produções refletem experiências individuais e coletivas e evidenciam a potência da arte como linguagem capaz de ampliar imaginários, fortalecer a convivência e tensionar estruturas de exclusão, a partir da articulação entre arte, justiça social e saúde ampliada. A mostra convida o público a refletir sobre formas de coexistir e coabitar o mundo a partir do cuidado, da justiça e da produção coletiva de saúde, reafirmando a arte como prática política e social.
Para o curador Jean Carlos Azuos, em “Coexistir, Coabitar”, “as obras não partem de temas dados, mas de experiências situadas. Arte, justiça social e saúde ampliada aparecem como condições que atravessam a vida de quem cria e se tornam matéria, escolha e linguagem”.
— Cada trabalho carrega decisões que respondem ao que toca, mobiliza e sustenta o chão de cada residente e artista, seja no gesto pictórico, no corpo em performance, na fé cotidiana encarnada no trabalho ou na construção da imagem em vídeo. A exposição afirma a criação como um espaço em que existir, elaborar e narrar a própria condição de vida se torna possível, ressalta Azuos.
A abertura da exposição contará com uma programação musical especial, celebrando o início da mostra, com as participações de DJ Glau, Teodora Aya Ibeji e Back to Back — Baile do Santo Amaro.
A curadoria é assinada por Jean Carlos Azuos, com curadoria assistente de Caio Luiz, Felipe Dutra, Thanis Parajara, Thaís Iroko, Tauã Reis e Anis Yaguar, que acompanharam os processos de criação das obras ao longo da residência.
A exposição permanecerá em cartaz até 25 de abril de 2026, com entrada gratuita, de terça a sábado, das 10h às 17h. Durante esse período, contará com uma programação educativa composta por visitas mediadas, oficinas, sessões de cinema, rodas de conversa e seminário.
Serviço
Exposição: Coexistir, Coabitar
Abertura: 31 de janeiro de 2026, às 16h
Período de visitação: 31 de janeiro a 25 de abril de 2026
Local: Largo das Artes
Endereço: Rua Luís de Camões, nº 02, Centro, 1º andar. Rio de Janeiro, RJ
Funcionamento: de terça a sábado, das 10h às 17h
Sobre o Largo das Artes
O Largo das Artes é um centro independente de arte contemporânea no centro histórico do Rio de Janeiro, instalado em um casarão do século 19, que funciona como espaço de produção, exibição e difusão cultural, com galeria, ateliês e programa de residência artística para artistas locais e internacionais, buscando também a revitalização urbana e social da região.
Sobre o Museu da Vida Fiocruz
O Museu da Vida Fiocruz foi inaugurado em 1999 e faz parte da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz). A COC é um centro dedicado à preservação da memória da Fiocruz e às atividades de divulgação científica, pesquisa, ensino e documentação da história da saúde pública e das ciências biomédicas no Brasil.
Publicado em 23 de janeiro de 2026.


