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Por Inês Nogueira e Maria Alana Alves Rodrigues

 

Figura 1. Ventilador de pressão negativa. Créditos: Luana Ferreira / Museu da Vida Fiocruz

 

Você já ouviu falar do pulmão de aço? Na primeira metade do século 20, o ventilador de pressão negativa poderia ser a única possibilidade de sobrevivência de pacientes com poliomielite e outras doenças respiratórias graves. Saiba mais sobre este equipamento que faz parte do acervo museológico do Museu da Vida Fiocruz, e é destaque de um artigo da seção Objeto em Foco e do site Invivo.

Polio e outras doenças

O ventilador de pressão negativa, popularmente conhecido como pulmão de aço, simulava de maneira artificial os movimentos respiratórios do paciente, induzindo a entrada e saída de ar nos pulmões. Uma das primeiras tecnologias de ventilação pulmonar mecânica no mundo, o pulmão de aço permitia que pessoas com graves dificuldades respiratórias, como vítimas de trauma pulmonar acidental, tuberculose e poliomielite grave, conseguissem sobreviver.

 

Figura 2. Com exceção do diretor que utilizada o telefone com ramais, todas as ligações precisavam passar por uma central telefônica. Este tipo de conexão ainda durou muito tempo, operando até a modernização do sistema telefônico no final dos anos 1960. Imagem: Departamento de Arquivo e Documentação – Casa de Oswaldo Cruz /Fiocruz
Figura 2. Mecanismo de funcionamento do ventilador de pressão negativa. O cilindro pulmonar (rosa), cabeça exposta através de uma abertura em formato de domo (verde) vedada com película de borracha (azul escuro). O diafragma (laranja) se estende/retrai mecanicamente, variando a pressão do ar no cilindro, fazendo com que o tórax do paciente se expanda (inspiração) e se contraia (expiração). Créditos: Luana Ferreira / Museu da Vida Fiocruz

 

Na década de 1920 houve avanços importantes no campo médico e tecnológico, principalmente no que diz respeito à compreensão de como funciona a respiração humana. Em 1928, o engenheiro Philip Drinker e o pediatra Charles F. McKhann, na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, desenvolveram a primeira versão bem-sucedida do pulmão de aço testado em pacientes com poliomielite.

 

Figura 3. A central telefônica localizava-se no primeiro andar do Castelo Mourisco. Este equipamento também está preservado no Acervo do Museu da Vida Fiocruz. Imagem: Departamento de Arquivo e Documentação – Casa de Oswaldo Cruz /Fiocruz
Figura 3. Modelo do primeiro pulmão de aço desenvolvido por Philip Drinker e Charles McKhann. Fonte: Library Collections from Disability History Museum

 

Anos depois, em 1931, surge outra versão, criada por outro estadunidense, John Haven Emerson. Esse novo modelo cumpria as mesmas funções do anterior, mas era vendido como mais barato, mais leve e menos barulhento, além de possuir um formato menos macabro – o primeiro modelo era acusado de parecer um caixão.

 

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Figura 4. Modelo do equipamento desenvolvido por John Haven Emerson. Fonte: Library Collections from Disability History Museum

 

O respirador de Emerson ganhou popularidade, apesar das tensões acerca das patentes e disputas de reivindicação do pioneirismo. Sua presença foi notória em muitas instituições de saúde. Nos modelos de Emerson, um manual de funcionamento vinha acoplado à máquina para guiar o uso do equipamento.

  

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Figura 5. Manual do pulmão de aço. Créditos: Luana Ferreira / Museu da Vida Fiocruz

 

Na placa, em inglês, é possível observar o passo a passo dos procedimentos necessários para o uso do aparelho. São detalhados cuidados com o “domo”, que se encaixava em volta da cabeça e instruções de como colocar o paciente no colar de borracha da máquina e ajustar a pressão exercida dentro do aparelho para controle de sua respiração, além de cuidados necessários com a máquina.

O pulmão de aço foi muito usado no Brasil durante os surtos de poliomielite. Um dos polos de tratamento no Rio de Janeiro passou a ser o Hospital Municipal Jesus, referência pediátrica da cidade. Em 1953, o hospital recebeu três aparelhos para atender a demanda, sendo um deles doado pela primeira-dama Darcy Vargas, que teve um dos filhos atingidos pela doença. O nosso Objeto em Foco é um desses aparelhos. Ele foi doado em 2025 pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro para o acervo museológico do Museu da Vida Fiocruz.

Saiba mais sobre este importante equipamento para a história da medicina no Invivo, site de ciências do Museu da Vida Fiocruz.

 

Informações técnicas do objeto:

Objeto: Ventilador de pressão negativa

Autor: John Haven Emerson

Fabricante: J. H. Emerson Company

Origem: Estados Unidos

Época: Década de 1930 a 1950

Materiais: vidro, metal, couro, plástico, borracha, tinta na parte externa

Dimensões: 154 cm (altura); 80 cm (largura) e 233 cm (profundidade medida da extremidade do domo até a extremidade da alça de couro)

Coleção: Sociedade Brasileira de Pediatria

Procedência: Hospital Municipal Jesus - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro

 

Fontes:

CAMPOS, A. L. V. de; NASCIMENTO, D. R. do; MARANHÃO, E. “A história da poliomielite no Brasil e seu controle por imunização”. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, vol. 10, suplemento 2. Rio de Janeiro, 2003, pp. 573-600.

CHEN, Tao An; HUNG, Wen Chung. “John Haven Emerson (1906-1997): The Ultimate Pioneer of the ‘Iron Lung’”. Cureus, 16(9), ed. 69964, 2024.

DE FARIA, Maria Fátima Carazza. Pulmão de aço: preservação de um patrimônio científico da área da saúde. Dissertação em Preservação em Gestão do Patrimônio Cultural das Ciências e da Saúde – Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz, 2018.

FRUTUOSO, Rodrigo de Freitas. Evolução dos ventiladores pulmonares. Trabalho de conclusão de curso (Curso Superior de Tecnologia em Sistemas Biomédicos) – Bauru: Faculdade de Tecnologia FATEC Bauru, 2017. Disponível em: <https://ric.cps.sp.gov.br/handle/123456789/10700>. Acesso em: 10 set. 2025.

MACIEL, Laurinda Rosa; ALMEIDA, Anna Beatriz de Sá. “Controle e erradicação de uma doença: história da poliomielite e seus atores”. Revista Tempo e Argumento, vol. 2, n. 1, janeiro-junho. Florianópolis: Universidade do Estado de Santa Catarina, 2010, pp. 200-220.

POMATTI, Angela Beatriz. De sucata à museália: a trajetória de um objeto museológico, o Pulmão de Aço do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul. Trabalho de conclusão de curso – Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2016. Disponível em: <https://lume.ufrgs.br/handle/10183/147076>. Acesso em: 10 set. 2025.

SAMPAIO, Daniel. “Hospital Municipal Jesus: Vila Isabel”. Projeto Memórias da Saúde Carioca. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Saúde, 2023.

Créditos:

RODRIGUES, Maria Alana Alves; NOGUEIRA, Inês Santos. Objeto em Foco: Pulmão de aço. In: Museu da Vida Fiocruz. Publicado em 5 de dezembro de 2025.

 

Publicado em 18 de dezembro de 2025.

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