Ir para o conteúdo

Por Tatiane Lima

 

Durante dois dias, educadores do Museu da Vida Fiocruz e integrantes da equipe do Ciência Móvel participaram de oficinas e debates voltados ao aprimoramento de práticas de inclusão no atendimento ao público. A iniciativa teve como objetivo fortalecer o conhecimento sobre diferentes deficiências, promover reflexões sobre acessibilidade e preparar os mediadores para uma atuação mais acolhedora e eficiente. 

A expectativa é que os conhecimentos adquiridos durante as oficinas sejam aplicados nas próximas ações do Ciência Móvel, contribuindo para fortalecer o compromisso com a inclusão e o acesso democrático à ciência. 

O encontro começou com orientações baseadas no manual de boas práticas para educadores, documento que reúne padrões de conduta e orientações para o trabalho de mediação. Durante a abertura, a coordenadora de viagem do Ciência Móvel Lais Vianna apresentou exemplos de boas práticas e situações vivenciadas em atividades anteriores do Serviço de Itinerância do Museu, destacando como atitudes adequadas contribuem para uma mediação mais tranquila e acessível para todos os visitantes. 

 

Oficinas abordaram comunicação e deficiência visual 

Eduarda e Felipe educadores com deficiência visualNo primeiro dia do evento, realizado em 6 de março, as atividades começaram pela manhã. O encontro teve como tema “Comunicação, Barreiras e Deficiência Visual” e foi conduzido pelos educadores Eduarda Emerick e Felipe Monteiro.

Durante a oficina, os participantes discutiram desafios enfrentados por pessoas com deficiência visual e refletiram sobre barreiras presentes na comunicação cotidiana. 

“É importante abordar a legislação voltada para as pessoas com deficiência, os diferentes tipos de tecnologias assistivas, o significado das cores das bengalas, além de discutir o capacitismo. Também é fundamental compartilhar nossas experiências enquanto pessoas com deficiência visual e reconhecer que cada indivíduo é único”, destacou Emerick.

Os educadores também compartilharam relatos pessoais e experiências vividas em ambientes educativos, além de exemplos de capacitismo, incentivando os mediadores a reconhecerem e evitar atitudes que possam reforçar preconceitos ou dificultar a participação de pessoas com deficiência.

Surdez, Libras e cultura surda foram tema da programação da tarde 

Na parte da tarde, a programação seguiu com a palestra “Surdez, Libras e Cultura Surda”, ministrada pelos educadores Rafaela Vale e Paulo Andrade. A apresentação foi feita integralmente em Libras, com intérpretes realizando a tradução para o português. 

A atividade abordou aspectos da cultura surda, a importância da língua brasileira de sinais na comunicação e estratégias para tornar atividades educativas mais acessíveis a visitantes surdos. 

 paulo educador surdo

Inclusão e deficiência física foram discutidas no segundo dia

No segundo dia da formação, 7 de março, o foco das atividades foi a inclusão e o acolhimento de visitantes com deficiência física. Pela manhã, a consultora de acessibilidade do Ciência Móvel, Vanessa Cristina, falou sobre sua experiência pessoal e destacou a importância do comportamento atitudinal no processo de inclusão. 

Vanessa Cristina Ferreira assessoria de acessibilidade

Dando continuidade ao bloco “Inclusão, Acolhimento e Deficiência Física”, Bianca Reis, coordenadora do Serviço de Educação do Museu da Vida Fiocruz, apresentou práticas de atendimento desenvolvidas pela instituição para receber visitantes com deficiência, reforçando a necessidade de adaptar atividades e espaços para garantir uma experiência mais acessível. 

 

Autismo e neurodiversidade encerraram a formação 

Manoela educadora com autismoA programação foi encerrada com a palestra das educadoras Emanoela Araújo e Fernanda Costa, que abordaram o tema “Autismo, Neurodiversidade e Práticas Integradas”. A atividade trouxe reflexões sobre diferentes formas de funcionamento do cérebro e apresentou estratégias para tornar a mediação mais inclusiva para pessoas no espectro autista. 

"Tenho certeza de que formação realizada por nós, pessoas autistas e neurodiversas, faz a diferença. Nosso lugar de fala é construído a partir de muito estudo, além de trazermos na pele os prejuízos causados pela inadequação, falta de acessibilidade em espaços, exposições e eventos”, ressaltou Araújo.

Durante o encontro, os mediadores puderam compartilhar experiências e discutir formas de adaptar atividades educativas para atender diferentes perfis de visitantes. Em sua palestra, Araújo apresentou estratégias que favorecem o acolhimento de pessoas autistas, evitando situações de sobrecarga sensorial ou estresse que possam levar à desregulação ou a crises. 

 

Iniciativa busca fortalecer a acessibilidade em atividades educativas 

A formação foi uma iniciativa do Ciência Móvel, coordenada pela consultora de acessibilidade Vanessa Cristina Ferreira e pelas coordenadoras de viagem Lais Vianna e Fernanda Gondra. Ferreira explica que a iniciativa surgiu para atender a uma demanda dos mediadores do Ciência Móvel. Muitos relatavam insegurança ao realizar a mediação, especialmente por não saberem como acolher estudantes com determinadas deficiências.

Desde a concepção do projeto, a parceria com o setor educativo do Museu da Vida Fiocruz já era considerada essencial, sobretudo por contar com uma equipe em grande parte formada por pessoas com deficiência. “Desde o princípio, a ideia era estabelecer essa parceria para que outras pessoas com deficiência também participassem e contribuíssem conosco, trazendo seus conhecimentos e experiências”, destaca. Essa é a primeira oficina sobre o tema realizada pelo Ciência Móvel que visa realizar oficinas periódicas sobre o assunto.

Quer receber o Ciência Móvel em sua cidade? Preencha o formulário no Portal Único do Governo Federal e não deixe de ler o documento sobre a contrapartida dos municípios.

*Crédito das imagens: Tatiane Lima 

Publicado em 08 de abril de 2026. 

Link para o site Invivo
link para o site do explorador mirim
link para o site brasiliana

Funcionamento: de terça a sexta, das 9h às 16h30 e aos sábados, das 10h às 16h.

Fiocruz: Av. Brasil, 4365, Manguinhos, Rio de Janeiro. CEP: 21040-900

Contato: museudavida@fiocruz.br | (21) 3865-2128

Assessoria de imprensa: divulgacao@fiocruz.br

Copyright © Museu da vida | Casa de Oswaldo Cruz | Fiocruz

 
conheça nossos parceiros