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Informativo do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica do Museu da Vida       

Ano XXII - nº. 333. RJ, 12 de março de 2026.  

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Neste mês em que as mulheres estão em foco, por diferentes motivos, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou a Política de Empoderamento de Meninas e Mulheres na Ciência, Tecnologia e Inovação. O anúncio foi feito pela ministra Luciana Santos no último dia 5, na cerimônia de entrega do 2º Prêmio Mulheres e Ciência. A política, fruto de três anos de discussões, tem como objetivo consolidar a equidade de gênero, raça, classe e diversidade como eixo estruturante das políticas públicas e nas práticas institucionais de governança do setor de maneira transversal e permanente. Para isso será instituído o Comitê Permanente de Gênero, Raça e Diversidade no âmbito do MCTI, “estrutura crucial para institucionalizar os esforços e garantir que não haja retrocessos”, frisou a ministra. Ainda não se sabe como a iniciativa funcionará na prática, mas não deixa de ser uma sinalização positiva do ministério no sentido de incorporar o tema da equidade à sua agenda e estrutura. Falando em mulheres na ciência, a bióloga e pesquisadora da UFRJ Tatiana Sampaio ganhou os holofotes com declarações polêmicas relacionadas à pesquisa que lidera com a polilaminina, substância supostamente capaz de ajudar pessoas com lesão medular a recuperar movimentos. Apesar do entusiasmo legítimo da pesquisadora, parece que seus estudos precisam de revisão e seus resultados ainda estão longe de serem conclusivos. O caso tem gerado uma série de críticas à Sampaio, muitas pertinentes, mas outras de teor misógino e positivista – incluindo argumentos simplistas sobre a aplicação do “método científico”. Independentemente dos resultados da pesquisa com a polilaminina, não há dúvidas de que o episódio renderia um ótimo estudo no campo da divulgação científica. Fica a dica! Outra polêmica no meio da divulgação se instaurou com o anúncio da Fapesp sobre a criação de uma nova plataforma integrada de divulgação científica, que reunirá a Revista Pesquisa Fapesp, a Agência FAPESP e o boletim Pesquisa para Inovação sob a gerência de comunicação da fundação. O objetivo seria “integrar as atividades das equipes de reportagens, otimizar a distribuição de pautas – guardadas as especificidades de cada um dos veículos – e alinhar as atividades de comunicação à política de divulgação científica da FAPESP”. A notícia, divulgada como uma reestruturação natural com vistas a modernizar o aparato comunicacional da fundação, gerou reação negativa na comunidade de divulgadores. Em carta de apoio à permanência das versões impressa e online da Revista Pesquisa Fapesp, a Rede ComCiência lamenta a perda da revista como “espaço de jornalismo científico independente, crítico e especializado”, argumentando que diluir a publicação “em uma estrutura comunicacional subordinada à lógica institucional implica riscos concretos à autonomia editorial, à diversidade de abordagens e à própria credibilidade construída ao longo do tempo.” Até o dia 2/3, a carta já havia sido assinada por outras nove instituições e mais de mil pessoas. Em resposta, a Fapesp justificou que a reestruturação é necessária em razão dos elevados custos que a revista representa e “das dificuldades de gestão frente às restrições legais que regem a Fundação”. Afirmou também que já contratou um novo editor de redação e que o novo projeto editorial será desenvolvido e acompanhado pelo Laboratório de Estudos Avançados de Jornalismo (LabJor) da Unicamp. Torçamos para que o novo projeto mantenha a qualidade e a independência editorial da revista, mas, no contexto em que o jornalismo científico perde espaço impresso no país, é inevitável não lamentar mudanças nos veículos que são ainda referências na área. Enfim... da Pesquisa Fapesp ao boletim Ciência & Sociedade. A edição de março traz resultados da primeira pesquisa de percepção pública da ciência realizada no Reino Unido depois da pandemia de Covid-19, mostrando que os britânicos continuam valorizando a ciência e os cientistas, mas, apesar de estarem mais engajados com temas científicos, têm percepções mais ambivalentes em relação a eles, sobretudo os jovens. Sobre engajamento mais especificamente, compartilhamos um artigo que procurou identificar as características de vídeos de divulgação científica no YouTube que geram maior engajamento entre o público – confira na seção ‘Leituras’. Em novo episódio do podcast “The Great Simplification”, você pode ouvir sobre o que não fazer quando quiser desmentir informações falsas – mais detalhes na seção ‘Ações’. Ainda neste número do boletim, acesse dicas de eventos que marcam a abertura do ano letivo na Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), de números especiais de revistas com chamadas abertas a contribuições, entre outras recomendações de leituras, ações, eventos e oportunidades no campo da DC. Boa leitura! 

 

Leituras

A percepção dos britânicos sobre a ciência pós-covid – Já estão disponíveis os resultados da pesquisa de percepção pública da ciência realizada em 2025 no Reino Unido, envolvendo um total de 5.281 adultos com 16 anos ou mais. É a primeira da série histórica a ser realizada depois da pandemia de Covid-19 e totalmente online. Os dados revelam um público que valoriza a ciência e os cientistas, com mais pessoas discutindo ciência com seus familiares e amigos do que antes da pandemia. No entanto, o maior número de pessoas engajadas não se traduziu necessariamente em um envolvimento mais profundo. E, apesar do maior acesso à informação científica, menos pessoas se sentem informadas. A confiança e a certeza diminuíram desde a pandemia, com respostas demonstrando visões mais neutras ou incertas – especialmente entre os jovens – e atitudes polarizadas em relação à inteligência artificial. As disparidades históricas de gênero persistem. Por exemplo, as mulheres continuam sentindo-se menos informadas do que os homens e tendo menos vontade de participar nas decisões sobre a ciência. De maneira geral, os resultados ressaltam a necessidade urgente de envolver o público na governança da ciência, para se compreender melhor os fatores por trás do aumento da incerteza em relação à ciência e para proporcionar às pessoas um senso de conexão mais cotidiana com ela. Acesse os dados completos da pesquisa aqui.

Em busca de engajamento – Há quem diga que as redes sociais digitais são a forma mais complexa de mídia contemporânea. Se, por um lado, elas ampliam a circulação de conteúdo e democratizam a sua produção, por outro lado, adaptar a comunicação às dinâmicas próprias dessas redes pode constituir um difícil obstáculo. Para a divulgação científica (DC), o desafio é grande! No YouTube, por exemplo, não bastam informações corretas e fontes seguras para um vídeo de ciência ter bom um engajamento! O artigo “Ciência em foco: uma análise de canais e vídeos de divulgação científica no YouTube”, recém-publicado na Liinc, buscou responder: quais características técnicas de vídeos de DC no YouTube têm maior potencial de interferir na resposta e no engajamento do público diante desses conteúdos? Para isso, foram analisados 134 vídeos publicados entre junho de 2022 e junho de 2023, coletados utilizando-se “ciência” e “cientista” como descritores. Lançando mão da análise de conteúdo, os autores identificaram características dos canais e vídeos selecionados – como formato, gênero, temática, vozes, perfil de fala, entre outros – e cruzaram com a taxa de engajamento com o público. Os dados obtidos sugerem, entre outros aspectos, que o sucesso dos vídeos de ciência depende de uma comunicação que vá além da transmissão impessoal de informações, favorecendo formatos mais afetivos e uma linguagem menos formal, o que possibilita a criação de laços de confiança e pertencimento entre produtores e públicos. Leia o artigo completo.

 

Divulgação científica na educação – A edição corrente da revista Ponto de Vista traz artigos sobre ações de divulgação científica (DC) aplicadas em sala de aula. Em “Análise de conteúdo de artigos sobre fisiologia vegetal publicados na revista Ciência Hoje e seus potenciais usos no ensino de ciências e biologia”, os autores discutem a utilização de textos de DC como possíveis soluções para os desafios do ensino de botânica. Já o artigo “Poemas matemáticos e álgebra no 1º ano do Ensino Fundamental” apresenta um trabalho pedagógico com poemas matemáticos produzidos por uma turma de crianças do 1º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública de Natal (RN). Em “Educação científica em tempos de negacionismos: produção audiovisual como estratégia didática no ensino de biologia”, os autores analisam experiências desenvolvidas a partir de uma Sequência de Ensino Investigativa (SEI), mediada por produções de vídeos. Realizada com estudantes de uma escola de Ensino Médio Técnico em Caruaru (PE), a ação focou temas relacionados a Saúde Pública, doenças emergentes, biotecnologias e enfrentamento dos negacionismos científicos. Leia esses e outros artigos aqui.

Ações

Quando desmascarar pode piorar – A vida de quem tenta combater, minorar, desmascarar, esclarecer ou regulamentar a circulação de desinformações não é fácil. E cada um desses verbos pode, digamos, se desdobrar em mais ou menos trabalho e/ou consequências. O podcast “The Great Simplification” traz uma boa conversa sobre o tema, fruto de uma entrevista feita por Nate Hagens, diretor do Instituto para o Estudo da Energia e do Nosso Futuro, organização social sem fins lucrativos, com o físico e divulgador da ciência John Cook, do Centro de Melbourne para Mudança de Comportamento da Universidade de Melbourne, na Austrália. Ele conta que durante anos manteve o site Skeptical Science  buscando tornar os fatos sobre a ciência climática mais acessíveis e desmascarar mitos climáticos. “Depois de vários anos fazendo isso, um cientista cognitivista, pesquisador da psicologia, me enviou uma pesquisa mostrando que, se você desmascarar da maneira errada, pode piorar as coisas”. Confira a conversa na íntegra, em inglês, neste link.

Arqueologia paulistana é tema de oficina – A Casa Museu Ema Klabin (SP) convida crianças e adultos para participarem de uma oficina de escavação no dia 28/3, das 14h às 16h30. A atividade, lúdica e educativa, simula procedimentos para escavar e montar um sítio arqueológico. Durante a oficina, os participantes utilizarão instrumentos reais e vivenciarão o papel de arqueólogos na prática. O evento é gratuito e requer inscrição prévia. São apenas 20 vagas. Confira a programação e garanta a sua vaga através deste link.

Eventos

Encontro sobre a história da DC – Em 16/3, das 9h às 16h30, na Tenda da Ciência do Museu da Vida Fiocruz (MVF), acontece o evento de abertura do ano letivo da Especialização em Divulgação e Popularização da Ciência e do Mestrado em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz). O encontro, que terá como foco a história da divulgação científica, contará com uma mesa de abertura institucional, duas mesas-redondas com pesquisadores convidados e mediação de Marina Ramalho (coordenadora do mestrado e pesquisadora do MVF) e Luís Amorim (chefe do MVF). O evento é presencial e aberto ao público. Não há necessidade de inscrição prévia. Saiba mais aqui

Debora Diniz abre atividades acadêmicas da COC/Fiocruz  No dia 19/3, às 14h, a antropóloga Debora Diniz ministrará a aula inaugural da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) sobre o tema “Ciência como testemunho: ética, engajamento e mundo em disputa". O evento será realizado no Salão de Conferência do CDHS, no campus da Fiocruz em Manguinhos (RJ), com transmissão ao vivo pelo YouTube e tradução em Libras. A participação presencial é aberta ao público e não requer inscrição prévia. Saiba mais clicando neste link.

Oportunidades

Educação museal decolonial e antirracista – O Museu de Arte Contemporânea do Ceará realiza em março duas formações virtuais gratuitas para todo o Brasil, com a artista e pesquisadora Ana Aline Furtado: “Quando a arte não pacifica: práticas desobedientes em arte-educação”, nos dias 17 e 19/3, e “Estrutura se protege, água acha meio: notas para uma educação museal antirracista, nos dias 24 e 25/3. As inscrições terminam em 13/3. Saiba mais!

Pensando a IA na DC – Estão abertas as submissões de artigos, relatos de experiências e ensaios para o novo Dossiê da Revista Educação Pública, sobre "Inteligência Artificial na Divulgação Científica e no Ensino de Ciências". O objetivo é que o dossiê seja um espaço de discussão sobre os amplos processos de negociação, regulação, resistência e (re)produção de saberes desencadeados pelas ferramentas de IA. As propostas devem ser enviadas até 20/4. Mais informações aqui.

Resistência microbiana em foco – A revista JCOM vai dedicar uma edição especialmente às dimensões de comunicação e engajamento público da resistência antimicrobiana, um dos maiores desafios de saúde da atualidade. Serão aceitas contribuições de uma ampla gama de disciplinas e perspectivas, em formatos de artigos de pesquisa, insights práticos, ensaios e comentários. Os resumos das propostas devem ser enviados até 30/6 para o e-mail <Este endereço de e-mail está sendo protegido de spambots. Você precisa habilitar o JavaScript para visualizá-lo.;. Acesse este link para obter mais informações.

 

 

 

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Ciência & Sociedade é o informativo eletrônico do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica do Museu da Vida (Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz). Editores de Ciência & Sociedade: Carla Almeida e Marina Ramalho. Redatores: Luís Amorim e Rosicler Neves. Projeto gráfico: Barbara Mello. Informações, sugestões, comentários, críticas etc. são bem-vindos pelo endereço eletrônico <Este endereço de e-mail está sendo protegido de spambots. Você precisa habilitar o JavaScript para visualizá-lo.;. Para se inscrever ou cancelar sua assinatura do Ciência & Sociedade, envie um e-mail para <Este endereço de e-mail está sendo protegido de spambots. Você precisa habilitar o JavaScript para visualizá-lo.;.        

    

 

Publicado em 13 de março de 2026.

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