
Informativo do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica do Museu da Vida
Ano XXII - nº. 336. RJ, 8 de junho de 2026.
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A 46ª edição do Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica, a maior premiação da área no Brasil, contemplou o jornalista Bernardo Esteves, repórter da revista Piauí e autor dos livros Admirável novo mundo - uma história da ocupação humana nas Américas e Domingo é dia de ciência: história de um suplemento dos anos pós-guerra, e a revista Pesquisa Fapesp, publicação de jornalismo científico com mais de 25 anos de trajetória. A premiação ocorre em momento de mudanças significativas na gestão de comunicação na Fapesp, o que despertou preocupação em parte da comunidade científica, como comentamos na edição de março deste boletim. A Fapesp, no entanto, garantiu a manutenção da publicação e, em maio, anunciou seu novo diretor de redação, o biomédico Gabriel Alves, que foi repórter, colunista e editor do jornal Folha de S.Paulo, além estrategista de comunicação na Agência Bori. No mesmo comunicado, a agência divulgou o nome do seu novo gerente de comunicação. O jornalista Herton Escobar, que foi repórter do jornal O Estado de S. Paulo e agraciado com o Prêmio José Reis em 2014, é agora o responsável por todas as iniciativas de divulgação da fundação. Nossos parabéns ao Bernardo Esteves e à Pesquisa Fapesp – e que as mudanças venham para fortalecer a divulgação científica no Brasil! Já no Reino Unido, um relatório recém-publicado sobre a última década de engajamento público e comunitário no país revela conquistas importantes no campo, que contribui para aprimorar a qualidade e a legitimidade da pesquisa científica britânica. Por outro lado, o documento aponta a necessidade de mudanças estruturais que tornem o acesso à ciência mais inclusivo e democrático no país. O relatório, com reflexões também pertinentes à DC no Brasil, abre o Ciência & Sociedade de junho. O boletim deste mês traz também informações sobre o mais novo espaço cultural do Rio de Janeiro: o Centro de Ciências e Culturas (CCCS), criado pelo Sesc para mediar o conhecimento e o diálogo entre ciência, cultura e diferentes formas de saber. Além do CCCS, quem estiver no Rio de Janeiro também poderá conferir a nova exposição do Museu da Vida Fiocruz (MVF), “Favela viva: enfrentamentos à pandemia de Covid-19 em Maré e Manguinhos”, que oferece um olhar humanizado sobre como os moradores desses territórios atravessaram a crise sanitária global (veja mais informações na seção ‘Ações’). Falando em MVF, o museu estará representado por três pesquisadoras no XVI Jornadas Esocite. Ana Carolina Gonzalez, Carla Almeida e Gabriela Reznik apresentarão trabalhos no evento, que acontece em Bogotá, Colômbia, de 24 a 26/6. E para você que é divulgador da ciência no Brasil, fica ligado: entre 14 e 30/6 estarão abertas as inscrições para ouvintes no Encontro Brasileiro de Divulgadores da Ciência, que acontece em São Paulo, de 5 a 7/9 (confira mais detalhes na seção ‘Eventos’). E não deixe de nos acompanhar para acessar essas e outras dicas de leituras, ações, eventos e oportunidades em DC. Boa leitura!
Leituras
Uma década de engajamento público no Reino Unido – Se, por um lado, o engajamento público dá provas de que pode aprimorar a qualidade e a legitimidade da pesquisa científica, ajudando a garantir que ela esteja alinhada às necessidades da sociedade e aos valores democráticos, por outro, ela ainda tem limitações graves e persistentes, como o acesso desigual às atividades de engajamento, estruturas e culturas institucionais inflexíveis, lacunas de avaliação e marcos éticos desatualizados. Esta é uma das principais conclusões do relatório “A decade of research in public and community engagement”, que acaba de ser publicado pelo Centro Nacional de Coordenação para o Engajamento Público do Reino Unido. Assinado pelos pesquisadores Ann Grand, Elizabeth Morrow, Bethany Rex e Paul Manners, o documento foi elaborado a partir de uma revisão de literatura que buscou identificar questões-chave e lacunas relacionadas ao engajamento público e comunitário na pesquisa científica no Reino Unido, com foco em publicações de 2014 a 2024. O relatório destaca a publicação de um conjunto substancial de estudos explorando o tema ao longo do período, cujos resultados demonstram o grande potencial de atividades de engajamento público e comunitário, considerando diversos formatos e comunidades envolvidas. No entanto, as evidências apontam a necessidade de mudanças sistêmicas, pois as estruturas de financiamento, incentivo e governança existentes frequentemente restringem formas inclusivas e deixam grupos de fora. Ainda que focado no Reino Unido, o relatório traz um olhar interessante sobre esse movimento importante de divulgação científica. Confira aqui o documento completo disponível, em inglês.
Estratégias mais eficazes de engajar o público – A pandemia de Covid-19 é frequentemente associada à polarização política, à desinformação e a crises de confiança nas instituições e no trabalho dos cientistas. Os descompassos na comunicação em momentos críticos da crise sanitária global, que prejudicaram a resposta à doença, deixaram lições importantes para a comunicação em saúde e a DC. Para os pesquisadores Graso, Fousiani, Clark e Chen, o período pós-crise também oferece um contexto valioso para a compreensão de como a sociedade interage com a comunidade científica. Em 2025, eles investigaram como o engajamento público após a pandemia é impactado por diferentes estratégias de comunicação, realizando quatro experimentos em que 1443 participantes adultos leram sobre um cientista refletindo acerca das lições da Covid-19. Mensagens “Autoritativas” – nas quais o cientista defende as instituições, minimiza os erros cometidos, rotula os céticos como anticiência e atribui a origem da desinformação a uma ideologia política – foram contrastadas com mensagens de “Responsabilização” – nas quais o cientista justifica ações, questiona rótulos, admite erros de comunicação e reconhece a desinformação de ideologias políticas distintas. Um dos resultados da pesquisa sugere que a transparência e a inclusão de diferentes pontos de vista podem engajar mais indivíduos na rede cooperativa em torno da ciência, tornando o público mais receptivo ao mensageiro e à mensagem. Para saber mais sobre o estudo, confira o artigo “How Science Communication Strategies Shape Public Engagement with Scientists Post-COVID-19”, publicado na revista Social Science & Medicine.
Arte, ciência e educação – A nova edição da Revista Educação Pública traz um dossiê com reflexões e trabalhos apresentados no III Encontro Brasileiro de Divulgadores de Ciência (EBDC). Realizado em novembro de 2024, em São Paulo, o evento teve como tema central as articulações entre arte, ciência e educação, o que se reflete no conjunto de artigos veiculados na revista. Cabe destacar, no entanto, a diversidade das manifestações artísticas abordadas nos textos, incluindo desde a gravura típica dos folhetos de cordel até animes de ficção científica, passando por relatos de experiências e pesquisas sobre o teatro produzido no contexto da divulgação científica e o potencial de cinedebates e exposições de ciência e arte para engajar o público na ciência. Para além das relações entre ciência e arte, há contribuições que enfocam a educação em ciências de forma mais ampla, outras que exploram a divulgação científica em redes sociais e que discutem outros aspectos da divulgação científica. O número traz ainda artigos dos palestrantes Zaika Santos e Gildo Girotto Junior, que abriram o encontro com uma mesa sobre a convergência entre ciência e arte para democratizar o conhecimento e preservar saberes ancestrais, e fecha com uma reflexão da comissão organizadora sobre a terceira edição do evento. Acesse aqui a edição completa.
Ações
Museu da Vida Fiocruz abre nova exposição – Inaugurada em 1/6, “Favela viva: enfrentamentos à pandemia de Covid-19 em Maré e Manguinhos” visa ampliar o debate sobre a mais recente emergência de saúde pública. A mostra oferece um olhar humanizado sobre como os moradores da Maré e de Manguinhos atravessaram a crise sanitária global, diante do acesso limitado a condições básicas de higiene e das dificuldades de subsistência durante o isolamento social. Com curadoria colaborativa, a exposição foi criada pelo Museu da Vida Fiocruz em parceria com movimentos sociais, estudantes da Educação de Jovens e Adultos e moradores dos territórios. Dividida em oito módulos, a mostra proporciona ao visitante uma experiência interativa e acessível, combinando dados técnicos com recursos, como objetos táteis, mapas e jogos de combate a notícias falsas. Ela ocupa atualmente o Pavilhão do Relógio, uma edificação histórica que teve papel central no enfrentamento a outras emergências sanitárias, mas se tornará itinerante a partir do segundo semestre, percorrendo escolas, bibliotecas e museus nos territórios de Maré e Manguinhos. Para mais informações, clique aqui.
ESC inaugura novo espaço cultural – A partir de 9/6, o corredor cultural do centro do Rio de Janeiro será ampliado com a inauguração do Centro de Ciências e Culturas (CCCS), o mais novo equipamento cultural da cidade. Idealizado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), o CCCS foi pensado para mediar o conhecimento e o diálogo entre ciência, cultura e diferentes formas de produção de saber. O espaço inicia suas atividades com uma mostra inspirada no livro Revolução das Plantas, montada na Galeria VÃO, área permanente voltada à interseção entre arte e ciência. A exposição reúne trabalhos de oito artistas brasileiros que transitam entre natureza e tecnologia, incluindo fotografias, instalações, pinturas e gravuras. A programação da inauguração conta também com a palestra do neurobiólogo Stefano Mancuso, pesquisador da Universidade de Florença, referência mundial no campo da neurobiologia vegetal e autor da obra que deu origem à exposição. O CCCS, localizado no Centro de Inovação do Senac RJ (Cápsula), na Avenida Presidente Vargas, 62, funcionará de terça a sábado, das 10h às 17h. Verifique aqui a programação.
Eventos
ASDC recebe propostas de trabalhos – Até 17/6, às 17h30 (horário de Londres), a Association for Science and Discovery Centres recebe propostas de trabalhos para a principal conferência anual do Reino Unido voltada para pesquisadores e profissionais de centros e museus de ciência, que acontece em 14 e 15/10 no museu Techniquest, em Cardiff, no País de Gales. Com o tema “Who cares about science?”, o encontro discutirá seis temas-chave, entre eles desinformação e inclusão social. As inscrições custam 235 libras para membros e 275 libras para não-membros; após o dia 30, os valores aumentam para 270 e 310 libras, respectivamente. Para mais informações, clique aqui.
Inscrições para ouvintes no EBDC – Entre 14 e 30/6 estarão abertas as inscrições para ouvintes no Encontro Brasileiro de Divulgadores da Ciência (EBDC). O evento, que acontece de 5 a 7/9 no Instituto Principia, em São Paulo, terá como tema central “O Sul como centro”. Estão previstas mesas-redondas, oficinas e apresentações de pôsteres. Se liga que o evento é pequeno e as vagas limitadas! Para se inscrever, acesse aqui.
Oportunidades
Para jornalistas ambientais – A Earth Journalism Network, rede internacional de jornalismo ambiental, oferece uma série de oportunidades para jornalistas. Uma delas é o programa de bolsas para cobrir a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que vai acontecer em Antalya, na Turquia, de 9 a 20/11. O prazo para submissão é 17/6; confira aqui mais informações. A rede também vai oferecer, entre 15 e 17/9, em Fortaleza, um workshop para jornalistas brasileiros sobre a cobertura de temas oceânicos. As submissões serão aceitas até 18/6. Leia aqui os detalhes.
Bolsas para jornalistas de ciência – A Federação Mundial de Jornalistas Científicos (WFSJ), em parceria com a Academia Norueguesa de Ciências e Letras, apoiará até três jornalistas para participar da Semana Prêmio Kavli, que acontece em Oslo, na Noruega, de 29/8 a 3/9. O encontro bienal celebra a ciência e promove o diálogo sobre pesquisas de ponta nos campos da astrofísica, nanociência e neurociência. A bolsa cobre passagens aéreas, hospedagem, traslados e alimentação durante o evento. Os interessados têm até 12/6 para se inscrever. Para mais informações, clique aqui.
Apoio para a $NCT – O MCTI e o CNPq lançaram chamada pública de R$ 8 milhões para apoiar atividades na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2026. O maior evento de divulgação científica do país será realizado de 26/10 a 1/11, com o tema central “Ciência delas”. Serão financiadas atividades com abrangência estadual/distrital, intermunicipal e municipal/escolar. O prazo para submissão de propostas é 3/7. Confira a íntegra do edital.
Tem uma sugestão de notinha para a próxima edição do boletim Ciência & Sociedade? Oba! Envie para o e-mail <
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Ciência & Sociedade é o informativo eletrônico do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica do Museu da Vida (Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz). Editores de Ciência & Sociedade: Carla Almeida e Marina Ramalho. Redatores: Luís Amorim e Rosicler Neves. Projeto gráfico: Barbara Mello. Informações, sugestões, comentários, críticas etc. são bem-vindos pelo endereço eletrônico <
Publicado em 09 de junho de 2026.


