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Por Julianne Gouveia, Kelly Toledano, Renata Bohrer e Teresa Santos

Como nasce um museu? Quem passou nesta quinta-feira (29/10) pela Feira de Ciência da SNCT 2026 na Fiocruz matou essa curiosidade no estande "Museu de Histórias!", do Museu da Vida Fiocruz (COC/Fiocruz). Segundo Emanuela Araújo, uma das proponentes da atividade, além de desenvolver propostas que aproximem o público da saúde e da ciência, também é necessário resgatar a nossa história. É importante também que as pessoas saibam que o museu da Fiocruz "tem um vínculo com o Ministério da Saúde, por exemplo, para que conheçam e também valorizem a construção de patrimônios como esse, responsáveis por disseminar, compartilhar, formar e multiplicar", destacou.

A história da ciência também esteve presente em outros estandes. Quem passou por lá, também pôde se divertir com um jogo de tabuleiro que transportava os jogadores para o Rio de Janeiro de Oswaldo Cruz. A partir de fake news conhecidas do início do século passado, o jogo 'Jovem Cientista contra Epidemias' convidou os participantes a se tornarem assistentes do sanitarista no combate a epidemias como febre amarela, peste bubônica e varíola, que assolavam a cidade à época.

Nascido inicialmente como um jogo digital ainda durante a pandemia, 'Jovem Cientista contra Epidemias' vai ganhar em breve uma versão ampliada em formato físico, a ser distribuída para escolas. O objetivo, segundo Cristiane Dávila, uma das idealizadoras do projeto, "é fazer as pessoas pensarem na questão em como enfrentar uma coisa que tá muito perto da gente, principalmente a desinformação". O produto foi desenvolvido em uma parceria entre o Departamento de Arquivologia da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) e o Núcleo de Jogos e Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz).

Saúde em várias perspectivas

Também foi dia de aprender sobre temas de saúde. A atividade "Leptospirose: conhecer para prevenir", promovida pelo Laboratório de Referência Nacional para Leptospirose do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), apresentou o ciclo da transmissão da doença na Feira de Ciências da SNCT 2026. Na bancada, o público pôde conferir e interagir com maquete e modelos táteis da bactéria Leptospira, que transmite a leptospirose, roedores, que são um dos principais agentes de transmissão da doença, e também outros animais envolvidos nesse ciclo como cachorro, porcos e bovinos. "Todos esses animais são capazes de liberar a bactéria na urina e assim contaminar tanto outros animais como o ser humano também", explicou Emiliana Pereira, uma das proponentes da atividade.

Os medicamentos foram outro destaque nesta quinta-feira. A pesquisadora Maria Dias contou que seu grupo do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) trouxe três temas para o espaço: modelagem molecular, farmacocinética e síntese orgânica. A equipe apresentou diferentes frentes de trabalho, entre elas, alvos farmacológicos, isto é, moléculas do organismo com as quais os medicamentos interagem, produzindo uma resposta. E para discutir o assunto, nada melhor do que um jogo de videogame! Na atividade 'Química em Jogo - Missão enzima', foi possível aprender de forma divertida como os medicamentos agem no corpo. "Tentamos trazer os alunos para mais próximo não só para saber como tomar medicação, mas também saber como ela é feita, como ela age, qual o caminho dela no nosso corpo, de uma forma mais interativa e lúdica", destacou Maria.

O estande do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos (ICTB) da Fiocruz também marcou presença com suas atividades. Macacos, saguis e outras espécies observadas pelo Serviço de Criação de Primatas Não Humanos (SCPrim) do ICTB/Fiocruz ganharam destaque com modelos biológicos do desenvolvimento embrionário e órgãos, além de um mostruário de pegadas de diferentes tipos. "Os primatas não humanos, além de compartilharem um ancestral comum com os humanos, possuem características e patologias similares aos humanos. Isso é fundamental para as pesquisas", afirma Jessica Pinheiro de Oliveira, bióloga, suporte laboratorial em qualidade de biomodelos do ICTB e uma das trabalhadoras de perfil técnico homenageadas no estande. "Estar aqui é uma experiência única, pois, além de ser mulher na ciência, venho da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), sou bióloga e cotista. As mulheres são maioria na ciência. O nosso lugar de fala é muito importante. A gente não pode deixar de lembrar disso", completou.

Já na Biblioteca de Manguinhos, o assunto era bactéria! Na atividade "A Ciência é Pop", os visitantes tiveram a oportunidade de mergulhar no universo desses microrganismos e conhecer mais sobre sua presença no cotidiano e sua importância para a saúde. Segundo Débora Ribeiro, pesquisadora e curadora da Coleção de Bactérias Patogênicas do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), a iniciativa possibilitou abordar temas que fazem parte do dia a dia da população: “Trouxemos o mundo das bactérias e aproveitamos para explicar ao público o que são esses seres microscópicos”.

Durante a atividade, os participantes utilizaram microscópios e modelos didáticos para conhecer melhor esses microrganismos. Também aprenderam sobre a importância da higienização das mãos e do descarte correto de antimicrobianos.

Débora ainda apresentou o trabalho desenvolvido no laboratório, que envolve a identificação e a caracterização desses microrganismos. “O nosso trabalho é identificar e caracterizar essas bactérias. O que tentamos fazer no laboratório é reproduzir o que acontece na natureza ou mesmo no nosso corpo”, explicou. A pesquisadora também ressaltou o papel da coleção na preservação e no fornecimento de material para pesquisas. Após a identificação, as bactérias passam por processos específicos de conservação e preparação. Esse material é disponibilizado a instituições públicas e privadas, contribuindo para o desenvolvimento de novos estudos científicos.

Racismo e Saúde foi tema de debate

Hoje também foi dia de "Bate-papo com o autor". No Auditório do Museu da Vida Fiocruz, Wertton Matias apresentou a obra 'Racismo e Saúde: Perspectivas Antropológicas Contemporâneas', que reúne textos dele e de outros autores sobre o racismo na formação de profissionais da saúde e seus impactos no acesso a um atendimento de qualidade. Durante o encontro, o autor compartilhou sua pesquisa com foco na epidemia de HIV. “Falei um pouco sobre a minha pesquisa, que trata da invisibilização do tema da raça no campo da saúde, pensando especificamente no caso do HIV”, explicou.

Segundo Wertton, embora a epidemia de HIV seja frequentemente considerada superada, o vírus continua afetando de maneira significativa a população negra e as mulheres. Para ele, há uma contradição entre a redução do debate público sobre o tema e a permanência de seus impactos, especialmente entre grupos historicamente vulnerabilizados. A obra, que foi organizada por Rosana Castro e Ana Cláudia Rodrigues, também aborda como o racismo contribui para precarizar o acesso à saúde de qualidade, afetando sobretudo populações negras, quilombolas e indígenas, além de discutir a importância de reconhecer as desigualdades raciais na compreensão das emergências sanitárias.

Para Marina Belchior, a atividade conversa com as propostas já discutidas em sala de aula. "Eu sou estagiária de educação inclusiva em uma escola no Chapadão e achei tudo muito interessante. A gente tem uma professora de leitura que sempre traz essa temática para as rodas de conversa em sala de aula", contou após assistir o bate-papo.

E para fechar a programação desta quinta-feira com muita animação, o público da SNCT na Fiocruz foi presenteado com o espetáculo teatral "Desvio Padrão", promovido pelo Laboratório de Pesquisa Clínica em Doenças Febris Agudas do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e com texto adaptado da obra 'Quando as espécies se encontram', da bióloga e filósofa Donna Haraway. Com muito humor e palhaçaria, a dupla Fiasco e Fiapo arrancou risadas no Auditório do Museu da Vida Fiocruz e convidou o público a refletir sobre a participação das mulheres na produção científica.

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E aí, curtiu? Então, se prepare que tem mais SNCT 2026 em Manguinhos!

A 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia na Fiocruz é uma realização da Fundação Oswaldo Cruz. O evento conta com recursos oriundos da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec) e tem apoio da Associação Amigos do Museu da Vida Fiocruz (AMVF) e do Instituto Nacional de Controle em Qualidade da Saúde (INCQS/Fiocruz).

Veja o que ainda vai rolar por aqui!

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Veja como foi a abertura da SNCT 2026 na Fiocruz, em Manguinhos (RJ)

Confira os destaques do segundo dia da SNCT 2026 em Manguinhos (RJ)

 

*Crédito das imagens: João Laet e Kelly Toledano.

Publicado em 29 de outubro de 2026.

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