Por Julianne Gouveia, Renata Bohrer, Rodrigo Narciso e Teresa Santos

Exposições, jogos educativos, atividades imersivas e artísticas... assim foi a sexta-feira (30/10) de quem participou da 23ª edição da SNCT na Fiocruz, em Manguinhos, RJ. Ao longo de todo o dia, os visitantes puderam explorar o universo da ciência e refletir sobre educação e o protagonismo feminino em diferentes campos do saber.
A centralidade das mulheres foi destaque, por exemplo, na atividade educativa “Cartas para o Futuro: Mulheres que Inspiram”, realizada pelo Aquário Marinho do Rio de Janeiro (AquaRio). Segundo Léo Avelar, biólogo marinho e gestor do Departamento de Educação para Conservação da instituição, a dinâmica buscou incentivar meninas a refletirem sobre seus sonhos, expectativas e possibilidades profissionais. Durante a atividade, as participantes foram convidadas a escrever cartas para si mesmas, registrando seus projetos e desejos para o futuro. As mensagens serão digitalizadas, criando um registro dessas aspirações e estimulando as meninas a se imaginarem ocupando diferentes espaços, inclusive na produção científica.
Envelhecimento, SUS e mais

A programação também abriu espaço para discussões sobre envelhecimento, desigualdades sociais e direitos da população idosa. Um dos destaques foi a atividade “Mulheres Idosas: Protagonismo na luta pelos Direitos da Pessoa Idosa”, promovida pelo Laboratório de Educação Profissional em Atenção à Saúde (Laborat), da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), no Auditório do Museu da Vida Fiocruz. A ação contou com a participação de Lúcia Porto Chaves, pedagoga e especialista em Geriatria e Gerontologia, que abordou o conceito de múltiplas velhices e destacou como as condições sociais influenciam as diferentes experiências de envelhecimento. “Nós envelhecemos de forma totalmente diferenciada por grandes diferenças sociais de todo o tipo”, ressaltou a palestrante durante apresentação.
Profissional de saúde de atenção básica há 12 anos, Daleia de Costa Santos abriu a roda de conversa "Desmistificando a Atenção Básica para Elas". A atividade buscou desmistificar a Atenção Primária à Saúde (APS), explicando um pouco como funciona o Sistema Único de Saúde (SUS) e sua relação com a Fiocruz.
Para a professora Danielle Monticelli, a atividade foi muito enriquecedora. "Achei importante falar do SUS com os alunos. É algo que temos no Brasil e que devemos valorizar. Muitos países desenvolvidos não têm um sistema de saúde gratuito e com tantos benefícios igual ao nosso", destacou.
Sexta-feira também foi dia de aprender sobre microrganismos. O Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses (LaPClin VigiLeish), vinculado ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), apresentou a atividade "LeishElas: desvendando a leishmaniose" na Feira da Ciência. Na ação conduzida pela pesquisadora e parasitologista da Fiocruz, Melissa Querido Cárdenas, os visitantes puderam aprender mais sobre o parasito Leishmania, desde a identificação de vetores até os métodos de diagnóstico e prevenção de doenças. O público pôde observar por meio de microscópios diferentes fases do desenvolvimento dos vetores, além de participar de jogos educativos sobre o ciclo de transmissão da doença. Também foi uma oportunidade para aprender sobre a importância de hábitos cotidianos para a prevenção de infecções de forma lúdica e divertida.
Ervas, rezadeiras e benzedeiras também tiveram espaço
E por que não falar das plantas? As ervas e o conhecimento tradicional também foram temas abordados na SNCT 2026 na Fiocruz. Ana Carolina Clemente, doutoranda da Faculdade de Formação de Professores (FFP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), trouxe a atividade 'Entre ramos e rezas: a ciência oculta das benzedeiras' para a Feira de Ciências.
Em sua bancada, o público pôde observar, tocar e cheirar diferentes plantas utilizadas pelas rezadeiras, entre elas, vence-demanda (Justicia gendarussa Burm.f.), que é usada na Umbanda para limpeza energética, quebrar demanda, afastar a inveja e o mau olhado e que possui ação anti-inflamatória e analgésica. "Minha proposta foi apresentar a ciência que as rezadeiras fazem todo dia no quintal das casas delas, os quintais afetivos delas. Essas são mulheres de muita sabedoria e conhecimento acumulados ao longo de gerações que foram sendo transmitidos para elas e que elas tentam transmitir, passar adiante", destacou a proponente.
As plantas também foram destaque do trabalho apresentado por Ellen Telácio, da Sociedade da Mulher Guerreira. Quem passou pelo estande "Laboratório Vivo: desvendando a ciência das plantas", pôde conhecer mais sobre a importância de curandeiras, benzedeiras, rezadeiras, mães de santo e pagés mulheres e também identificar a diferença entre elas. "Meu estande trouxe a importância de reconhecermos a ciência através dessas mulheres (...), de reafirmar a ciência delas", ressaltou. Além disso, a atividade também trouxe informações sobre banho de ervas, escalda-pés, chás e medicamentos naturais, bem como estímulos sensoriais para que as pessoas pudessem identificar as plantas.
Público aprovou a programação da SNCT 2026
Hoje foi dia de conhecer a Fiocruz para estudantes do ensino médio do Colégio Aprovação (GAP), de Itaboraí. O professor de Química André Pinho comentou sobre a experiência. “Nós temos um projeto de levar os alunos para as universidades públicas todos os anos. Neste ano decidimos vir à Fiocruz, que é um centro de pesquisa renomado. Tivemos uma pequena dificuldade com os horários, mas, através de um e-mail da instituição com um convite para a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, nós conseguimos nos organizar. Temos estudantes de todos os anos do ensino médio e eles estão adorando”, comentou.
O Campus de Manguinhos também recebeu estudantes do ensino médio, de Duque de Caxias (RJ). Eles participaram da oficina 'Quem ensina as máquinas a falar? Mulheres, PLN e LLMs', ministrada por integrantes do Programa de Computação Científica da Fiocruz da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (Procc/VPEIC/Fiocruz). Elas fazem parte do projeto Meninas Pelo Clima, iniciativa contemplada em 2023 pelo edital Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Na oficina, o grupo participou de quatro desafios práticos, que mostraram como grandes modelos de linguagem (LLMs) são treinados para produzir resultados em plataformas de inteligência artificial.
Estella Machado, aluna do Colégio Estadual Alexander Graham Bell, localizado em Jardim Primavera (Duque de Caxias - RJ), está estudando para ser professora e adorou a atividade. "Achei muito legal, amei conhecer e fazer essa atividade porque a gente usa IA, passar muito perrengue, e me ajudou a compreender", explica ela, que também visitou outros espaços do Campus Fiocruz Manguinhos. "Conhecer o Museu (da Vida Fiocruz) também foi muito legal, saber mais sobre a história de Oswaldo Cruz, da Fundação... Tudo isso contribui muito para minha formação e para que eu possa ser uma melhor profissional", resume.
Também muito entusiasmada com as atividades da Feira, a visitante Elicia de Castro Costa, de 12 anos, aproveitou para compartilhar suas impressões sobre a programação da SNCT 2026 na Fiocruz: "A Feira de Ciência está muito legal. Aqui a gente pode ver coisas que as escolas não mostram. A gente consegue aprender muito mais coisas sobre a ciência aqui", finaliza.
A 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia na Fiocruz é uma realização da Fundação Oswaldo Cruz. O evento conta com recursos oriundos da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec) e tem apoio da Associação Amigos do Museu da Vida Fiocruz (AMVF) e do Instituto Nacional de Controle em Qualidade da Saúde (INCQS/Fiocruz).
E para quem ainda não veio conferir a programação da SNCT, segue a dica: este sábado (31/10) é o último dia de atividades da 23a SNCT Fiocruz no Campus Manguinhos, RJ!
Confira a programação de sábado (31/10/2026)
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*Crédito das imagens: Vitor Vogel/COC Fiocruz, Teresa Santos e Rita Alcantara.
Publicado em 30 de outubro de 2026.


